1ª Bienal de Performance da Bahia ocupa Salvador e Jequié com arte nas ruas e provocações sobre a violência
Entre os dias 13 e 17 de agosto, a 1ª Bienal de Performance da Bahia leva arte e crítica social para as ruas, feiras, escolas e centros culturais de Salvador e Jequié. Com curadoria da artista baiana Padmateo, o evento reúne mais de 30 artistas e pesquisadores em uma programação gratuita que inclui performances urbanas, vídeoarte, debates, oficinas e ações formativas, tanto presenciais quanto virtuais.
Com a provocação “Isto é violência?” como eixo curatorial, a Bienal convida o público a refletir sobre como os corpos são atravessados pelas marcas do cotidiano, da política e da história, especialmente em contextos de marginalização e exclusão social. “Nos faltava um espaço que tirasse a performance das galerias e a colocasse entre o povo, na rua”, afirma Padmateo.
As cidades escolhidas para sediar a Bienal, Salvador e Jequié, não foram escolhidas ao acaso. Ambas figuram entre os municípios com maiores índices de violência no país. A proposta é fazer da performance um gesto simbólico e político, ocupando territórios marcados pela dor com ações que celebrem resistência, afeto e imaginação coletiva.
A programação conta com nomes como Tiê Francisco Maria, Ângela Daltro, Kako Arancíbia, Alex Oliveira, Otacílius José, Jack Elesbão, Augusto Leal e muitos outros, com apresentações em espaços como o Pelourinho, Feira do Pau, Centro Cultural ACM e o Colégio Milton Santos. Haverá ainda uma mostra de vídeoarte, com obras nacionais e internacionais, e o ciclo Auto-Falante: Aulas Magnas, transmitido ao vivo pelo YouTube da Bienal.
As oficinas e mesas de bate-papo também integram a programação e são gratuitas, com inscrição via perfil @bienalperformance. O evento é uma realização independente com apoio da UFBA, UESB, Casa 1145, Vídeo Brasil, entre outros parceiros, e conta com financiamento da PNAB – Jequié, por meio da Política Nacional Aldir Blanc.
A Bienal estreia como um espaço de aparição para corpos dissidentes, desejos plurais e novas formas de existir na arte, deslocando os centros de produção e provocando a Bahia a se reconhecer em sua diversidade criativa.