75% dos casos de glaucoma na América Latina não são diagnosticados; Inteligência Artificial pode mudar cenário no Brasil
Três em cada quatro pessoas com glaucoma na América Latina não sabem que têm a doença, segundo especialistas. O problema é considerado um grave desafio de saúde pública, já que o glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de pessoas convivam com o diagnóstico e que 2% da população acima dos 40 anos esteja em risco, mas a maioria desconhece a condição.
A dificuldade no diagnóstico está ligada ao fato de o glaucoma não apresentar sintomas em sua fase inicial, sendo conhecido como o “ladrão silencioso da visão”. A doença surge a partir de danos no nervo óptico, geralmente provocados por pressão intraocular elevada, e causa perda gradual da visão periférica, que só é percebida em estágios avançados, quando não há reversão possível.
Uma das principais apostas para mudar esse quadro é o uso da Inteligência Artificial em exames oftalmológicos. O software RetinaLyze, por exemplo, analisa imagens da retina e do nervo óptico para identificar precocemente sinais da doença, além de alterações provocadas por diabetes e degeneração macular. O sistema utiliza algoritmos treinados em milhões de casos e consegue detectar características iniciais do glaucoma com alta precisão.
O exame pode ser feito com retinógrafos portáteis ou sofisticados, por técnicos em oftalmologia. As imagens são processadas em poucos segundos, tornando a triagem rápida e acessível. Para a saúde pública, o impacto pode ser significativo: estudos apontam que a tecnologia reduz em até 60% a carga de trabalho dos médicos, permitindo que os especialistas se concentrem nos casos mais graves.
Segundo dados internacionais, cerca de 76 milhões de pessoas conviviam com glaucoma em 2020, número que pode ultrapassar 110 milhões até 2040. No Brasil, a ausência de políticas públicas de rastreamento precoce ainda faz com que a maioria dos casos seja descoberta tardiamente.
Com soluções como o RetinaLyze, especialistas defendem que o país tem a oportunidade de democratizar o acesso ao diagnóstico precoce, prevenir milhares de casos de cegueira irreversível e melhorar a qualidade de vida da população.