Após o Carnaval, médico alerta para infecções que podem surgir semanas depois na Bahia
Passada a folia do Carnaval, é hora de ligar o sinal de alerta para a saúde. Na Bahia, onde milhões de pessoas tomam as ruas durante a festa, o período pós-Carnaval costuma registrar aumento de infecções respiratórias, gastrointestinais e até arboviroses. A combinação de aglomerações, noites mal dormidas, consumo de álcool e exposição prolongada ao sol favorece a circulação de vírus e bactérias, e muitos sintomas só aparecem dias ou semanas depois da festa.
De acordo com o infectologista da Hapvida, Pedro Ítalo Oliveira Gomes, a queda temporária da imunidade é um dos principais fatores para o aumento dos casos. “Durante o Carnaval, é comum dormir pouco, se alimentar mal e consumir bebidas alcoólicas, o que reduz a capacidade de defesa do organismo. Além disso, as aglomerações facilitam a transmissão de vírus e bactérias pelo ar, saliva e contato próximo”, explica.
Entre as ocorrências mais comuns estão gripes, resfriados, amigdalites, faringites e quadros gastrointestinais. O especialista chama atenção também para infecções que nem sempre são associadas à folia, como mononucleose — conhecida como doença do beijo — herpes e outras infecções de garganta, geralmente transmitidas pelo contato com saliva ou objetos compartilhados.
As arboviroses também entram na lista de preocupação. Como muita gente passa horas em ambientes abertos, cresce a exposição a mosquitos transmissores de doenças como dengue, chikungunya e zika.
Os sintomas variam, mas febre persistente, dor no corpo, cansaço excessivo, dor de garganta, tosse, diarreia e mal-estar prolongado devem acender o alerta. “Muitas vezes, a pessoa acha que é apenas cansaço pós-festa, mas pode ser uma infecção em desenvolvimento”, orienta o médico.
A recomendação é observar a evolução do quadro e procurar atendimento se a febre durar mais de dois ou três dias, surgirem dores intensas ou houver piora dos sintomas. Hidratação, alimentação equilibrada, descanso adequado, não compartilhar objetos pessoais e usar repelente são medidas simples que ajudam na recuperação e reduzem riscos. No pós-Carnaval, ouvir o próprio corpo pode fazer toda a diferença.