Arrastão Pena Branca celebra Yemanjá no Furdunço e completa cinco anos
O Furdunço 2026 ganha um forte símbolo de fé, ancestralidade e cultura afro-brasileira no dia 7 de fevereiro, com a participação do Arrastão Pena Branca. Em seu quinto ano consecutivo no pré-Carnaval de Salvador, o projeto ocupa as ruas com o tema “Entre Cantos, Encantos e Axé: o Sagrado que Ecoa nas Ondas e na Devoção dos Navegantes a Yemanjá no Furdunço”, reafirmando o cortejo como um espaço de resistência, espiritualidade e celebração popular.
Idealizado no Templo Cacique Pena Branca e Pai Benedito de Angola, em Lauro de Freitas, o Arrastão nasce da trajetória de uma casa religiosa fundada em 2010 por Mãe Daya Dias de Xangô e Yansã. Há mais de 15 anos, a comunidade atua no acolhimento espiritual e na promoção da Umbanda como religião democrática, agregadora e comprometida com o bem coletivo.
Ao longo de sua participação no Furdunço, o Arrastão Pena Branca vem se consolidando como uma plataforma de afirmação cultural. Em 2024, o projeto homenageou as Baianas, ícones da tradição e resistência do Carnaval de Salvador. Já em 2025, levou para a avenida um Manifesto para Exu, celebrando comunicação, movimento e abertura de caminhos. Em 2026, a escolha por Yemanjá simboliza o amadurecimento do cortejo e reforça sua permanência como ato coletivo de ocupação simbólica das ruas.
Na tradição afro-brasileira, Yemanjá é a Rainha do Mar, mãe dos Orixás e guardiã das águas salgadas, associada à fertilidade, proteção e abundância. Sua devoção é profundamente enraizada na identidade cultural de Salvador, especialmente nas celebrações do 2 de Fevereiro. A narrativa do Arrastão dialoga ainda com a linha dos Marinheiros, entidades da Umbanda ligadas às forças do oceano, que representam coragem, trabalho e esperança.
A edição de 2026 conta com a colaboração do artista plástico maragojipano Memeu Barbudo, responsável pela criação do busto de Yemanjá e pela cenografia do trio elétrico, concebido como uma grande embarcação ritual. Redes de pesca, búzios, conchas e o abebé compõem a ambientação, enquanto figurinos em tons de azul e branco transformam os foliões em mensageiros das águas.
Mais do que um desfile, o Arrastão Pena Branca mobiliza a comunidade, artistas e trabalhadores da cultura, fortalecendo redes criativas e reafirmando o Furdunço como espaço de diversidade religiosa, pertencimento e amor às raízes.