Arte sustentável do Quênia é destaque na Bienal do Lixo 2025 em Salvador

A capital baiana recebe, entre os dias 4 e 7 de setembro, no Farol da Barra, a Bienal do Lixo 2025, que nesta edição traz uma atração inédita no Brasil: as esculturas monumentais da ONG Ocean Sole, do Quênia. Reconhecida mundialmente por transformar chinelos descartados nas praias africanas em obras de arte, a organização vai exibir duas peças de grande porte — uma girafa e um elefante — em um dos cartões-postais mais icônicos de Salvador.

Com sede em Nairóbi, a Ocean Sole recicla mais de 1 milhão de chinelos por ano, unindo arte, sustentabilidade e impacto social. O trabalho gera renda para comunidades locais e conscientiza sobre os efeitos da poluição plástica nos oceanos, além de chamar atenção para espécies ameaçadas, como as tartarugas marinhas. “Estamos honrados em trazer nossa história para o Brasil. Por meio da arte, destacamos a poluição por resíduos plásticos, protegemos a vida marinha e criamos meios de subsistência sustentáveis”, afirma Erin Smith, CEO da ONG.

Além da participação internacional, a Bienal do Lixo 2025 contará com obras de oito artistas brasileiros, que também utilizam resíduos para criar peças artísticas. A programação inclui ainda oficinas, mostras de cinema, desfiles de moda sustentável e painéis de diálogo. Toda a agenda é gratuita, com inscrições em breve pela plataforma Sympla, e contará com acessibilidade em Libras e audiodescrição.

Depois de estrear em São Paulo, em 2024, reunindo mais de 13 mil visitantes em cinco dias, o evento chega a Salvador com a proposta de expandir o debate sobre consumo consciente e o futuro do planeta. “Trazer a Ocean Sole ao Brasil é uma oportunidade de mostrar como a criatividade pode transformar resíduos em algo belo e significativo”, destaca Rita Reis, diretora-executiva da Bienal.

Para Mario Farias, idealizador do evento, a expectativa é de que o público se encante e saia inspirado para agir em prol do meio ambiente. “A nossa proposta é que a Bienal provoque reflexão e mobilização. Salvador é o lugar certo para ampliar esse diálogo”, afirma.