Bahia e Sergipe fortalecem parceria pela legalização da cultura da espada
Representantes de dez municípios baianos estiveram em Sergipe para discutir a legalização, regulamentação e valorização da tradicional cultura da espada — arte popular que resiste ao tempo como símbolo de identidade e economia nas comunidades do interior nordestino. A comitiva foi recebida por autoridades locais, como o prefeito, secretários municipais e lideranças comunitárias, em uma agenda voltada à preservação dos festejos com espadas e barcos de fogo.
A iniciativa foi articulada por Thiancle Araújo, ex-prefeito de Castro Alves, e Ito de Bega, ex-prefeito de Conceição do Almeida, com o objetivo de levar à Bahia um conjunto de elementos jurídicos, documentais e históricos que embasem a regulamentação da prática. “Espada não é arma, não é crime. Espadeiro não é bandido — e vamos legalizar. Essa é uma festa ancestral, ligada às comunidades quilombolas e à nossa história”, declarou Thiancle.
Durante os debates, autoridades sergipanas reforçaram que a regulamentação não significa proibição, mas sim proteção. Em Estância, por exemplo, a tradição é mantida com apoio das associações e da prefeitura, que definem dias, horários e locais autorizados para a soltura, sempre com foco na segurança da população e na preservação do patrimônio cultural.
Outro ponto de destaque no encontro foi o protagonismo das mulheres fogueteiras, figuras centrais no processo de produção das espadas e na manutenção dos rituais que envolvem a festa. “A mulher que molda a espada é aquela que foi lapidada pelo fogo. Ela mantém viva a festa ancestral”, disse Wellington Quilombola, presidente de associação quilombola local.
Além do valor simbólico e cultural, a cultura da espada movimenta a economia de forma significativa, gerando renda para fabricantes, ambulantes, músicos e produtores. Pesquisadores de Bahia, Sergipe e Alagoas também têm contribuído para reconhecer essas práticas como patrimônio imaterial vivo.
O intercâmbio entre os estados reforça o compromisso com a preservação da memória e das manifestações culturais do povo nordestino, com foco na liberdade, respeito e permanência das tradições.