Bahia reforça ações de prevenção contra HIV e ISTs no Dezembro Vermelho
O Dezembro Vermelho começou na Bahia com um alerta firme para reforçar a prevenção ao HIV e às infecções sexualmente transmissíveis. Mesmo com avanços importantes no tratamento, o país segue registrando cerca de 40 mil novos casos de HIV por ano, segundo dados recentes do Ministério da Saúde. Na Bahia, especialmente em Salvador, o cenário preocupa pela crescente exposição entre jovens de 15 a 29 anos, grupo que tem apresentado redução no uso de preservativos e maior vulnerabilidade.
Além do HIV, outras ISTs como sífilis, hepatites virais e gonorreia continuam avançando de forma silenciosa. A sífilis, por exemplo, já ultrapassa 220 mil notificações anuais no Brasil, mantendo uma curva ascendente. Para especialistas, a prevenção combinada — que inclui preservativos, testagem regular, PrEP e PEP — segue como o caminho mais eficiente para conter o avanço dessas infecções.
Segundo o infectologista Victor Castro Lima, do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), desinformação e falsa sensação de segurança têm contribuído para o aumento dos casos. “Temos medicamentos eficazes e avanços no tratamento, mas nada substitui o uso da camisinha e a testagem periódica. Informação correta ainda é nossa melhor ferramenta”, reforça.
A ampliação do acesso à PrEP e à PEP é uma das estratégias centrais da saúde pública. A PrEP é indicada para pessoas sem HIV, mas com risco contínuo de exposição. Já a PEP funciona como medida emergencial após uma situação de risco, devendo ser iniciada em até 72 horas — casos de relação sexual sem preservativo, rompimento de camisinha, violência sexual ou acidentes com material biológico.
Apesar da disponibilidade de testes rápidos, gratuitos e sigilosos em postos de saúde e centros especializados de Salvador, muitas pessoas só procuram ajuda após o surgimento de sintomas, o que dificulta o diagnóstico precoce.
No tratamento, os avanços também são significativos. A terapia antirretroviral ampliou a expectativa e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV, e a carga viral indetectável impede a transmissão. “Acompanhamos pacientes de todas as idades e reforçamos que viver com HIV é possível, mas prevenir é sempre o melhor caminho. Testar, tratar e proteger formam um tripé essencial”, conclui o infectologista.