Baobá Saúde reforça a importância do cuidado integral no Dia Nacional da População Negra
Mesmo representando 56% da população brasileira, pessoas negras ainda enfrentam os maiores desafios quando o assunto é saúde. São as que mais sofrem com doenças crônicas, mortalidade materna e desigualdade no acesso aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). No último domingo (27), durante o Dia Nacional de Mobilização Pró-Saúde da População Negra, a clínica Baobá Saúde, localizada no bairro Caminho das Árvores, em Salvador, reforçou a urgência de promover um cuidado integral, humanizado e representativo.
Idealizada pela psicóloga Laíse Brito, 35 anos, a Baobá Saúde nasceu em janeiro deste ano com o propósito de quebrar barreiras históricas que afastam pessoas negras, indígenas e LGBTQIAP+ dos espaços de promoção da saúde física e mental. O nome, inspirado na árvore africana símbolo de ancestralidade e resistência, traduz o espírito do projeto: força, acolhimento e conexão com as raízes.
“Cuidar da saúde da população negra é reconhecer histórias, corpos e subjetividades. É combater o racismo institucional e garantir representatividade nos espaços de decisão. A dor da população negra é real, e seu tratamento precisa respeitar suas especificidades”, destaca Laíse Brito.
A clínica oferece psicologia, psiquiatria, microfisioterapia, estética e psicopedagogia, com foco em um atendimento acolhedor desde o primeiro contato. Durante o mês de outubro, em sintonia com a mobilização nacional, o espaço promoveu atividades voltadas ao bem-estar emocional da população negra, incluindo grupos terapêuticos quinzenais e encontros presenciais e virtuais que têm alcançado pessoas de diferentes regiões do país.
Dados do Ministério da Saúde mostram que pessoas negras têm maior risco de mortalidade materna, hipertensão e diabetes, além de enfrentarem dificuldades de acesso a serviços especializados. Esses indicadores revelam que o racismo estrutural ainda impacta diretamente o bem-estar físico e mental da maioria dos brasileiros.
“Falar de saúde é falar de qualidade de vida e de pertencimento. A população negra carrega dores e potências que precisam ser escutadas”, completa a psicóloga.