Cairu ajusta tarifa do arquipélago para ampliar investimentos em turismo sustentável

A Prefeitura de Cairu aprovou a atualização da Tarifa por Uso do Patrimônio do Arquipélago (TUPA), que passa a valer a partir de 20 de dezembro. O novo valor para entrada em Morro de São Paulo será de R$ 70,00, medida que reforça ações de preservação ambiental, limpeza pública e ordenamento turístico em todo o arquipélago. A mudança foi validada pela Câmara Municipal após estudos técnicos e diálogo com o trade turístico e moradores.

A nova legislação define ainda que, em 1º de julho de 2026, a tarifa será reajustada para R$ 90,00 em Morro de São Paulo e passará a ser cobrada também em Boipeba, no valor de R$ 50,00. A atualização acompanha o crescimento do fluxo de visitantes e o aumento da demanda por serviços públicos em um dos destinos mais procurados e ambientalmente sensíveis da Bahia.

Criada para equilibrar os impactos do turismo, a TUPA destina integralmente seus recursos ao custeio de serviços intensificados pela presença de turistas, como limpeza, manejo de resíduos, fiscalização e ordenamento de áreas naturais. Desde 2021, o sistema digitalizado permite monitorar o fluxo de visitantes e planejar ações com base em dados reais, alinhado ao conceito de turismo inteligente.

Os dados apresentados pelo Executivo mostram que as despesas ligadas diretamente ao turismo superaram R$ 17 milhões em 2024, enquanto a arrecadação da TUPA não cobriu os custos, gerando déficit superior a R$ 5,9 milhões. Mesmo com estudos indicando necessidade de valores maiores, o município optou por uma atualização gradual para preservar o equilíbrio econômico, social e a competitividade turística.

Com ecossistemas frágeis como manguezais, restingas e piscinas naturais, Cairu chega a processar 25 toneladas de resíduos por dia na alta estação, mantendo equipes contínuas de limpeza, ordenamento náutico e monitoramento ambiental. O aumento progressivo da tarifa permitirá ampliar ações como manutenção de praias e trilhas, recuperação de áreas degradadas, apoio à cooperativa de reciclagem e melhorias em infraestrutura de acesso.

A legislação também determina que 2% da arrecadação seja destinada ao Fundo Municipal de Turismo, fortalecendo políticas voltadas ao turismo sustentável. Na mesma sessão, a Câmara aprovou a suspensão da Taxa de Manejo de Resíduos Sólidos (TMRS), compensada pelo incremento de arrecadação gerado pela TUPA.

Para a gestão municipal, a tarifa não é apenas uma cobrança, mas um mecanismo essencial para manter o arquipélago limpo, organizado e preparado para receber moradores e visitantes, garantindo que o crescimento turístico caminhe junto com a preservação ambiental.