Calor extremo na Bahia acende alerta para riscos à saúde e exige cuidados redobrados

A Bahia vive dias consecutivos de calor intenso, com registros entre os mais altos do país, e o cenário acende um alerta importante para a saúde da população. Municípios do interior como Ibotirama, Curaçá e Euclides da Cunha já ultrapassaram os 38 °C, segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com sensação térmica acima dos 40 °C em alguns momentos. Especialistas chamam atenção para o aumento do risco de desidratação, exaustão e falência térmica, principalmente entre idosos e pessoas com doenças crônicas.

De acordo com o médico clínico Rafael Catramby, da Hapvida, o corpo humano possui mecanismos naturais para manter a temperatura interna entre 36,5 °C e 37,5 °C. “Quando somos expostos ao calor, o organismo ativa respostas como suor, dilatação dos vasos sanguíneos e aumento da frequência cardíaca para dissipar o excesso de calor. O problema surge quando a exposição é intensa ou prolongada, ou quando a sensação térmica passa dos 40 °C, momento em que esses sistemas podem falhar”, explica.

Entre os principais sinais de alerta estão dor de cabeça intensa, confusão mental, desorientação, sonolência ou agitação, fraqueza, fadiga, palpitações, queda da pressão arterial, convulsões, dor no peito e sensação de desmaio. Ao perceber qualquer um desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

O impacto do calor extremo é ainda mais preocupante em idosos e pessoas com hipertensão, diabetes, doenças renais ou cardíacas. Segundo o médico, nesses grupos a capacidade de adaptação do organismo é menor. “A reserva funcional é reduzida, e qualquer desequilíbrio pode evoluir rapidamente para quadros graves. Por isso, hidratação frequente, atenção aos horários de medicamentos e redução da exposição ao sol são medidas essenciais”, reforça.

No dia a dia, atitudes simples ajudam a prevenir problemas, como usar roupas leves, permanecer em locais ventilados, beber água ao longo de todo o dia — mesmo sem sentir sede —, usar protetor solar e evitar atividades físicas intensas entre 10h e 16h. Banhos devem ser em temperatura ambiente, evitando extremos.

O médico também alerta para erros comuns. “Banhos muito gelados podem provocar choque térmico, e bebidas alcoólicas aceleram a desidratação, criando uma falsa sensação de alívio”, pontua. Em casos de agravamento, o Samu pode ser acionado pelo telefone 192. “Planejamento, informação e cuidado com os mais vulneráveis são fundamentais para atravessar esse período de calor extremo”, conclui.