Calor na Bahia acende alerta para aumento dos casos de câncer de pele
Com a chegada do verão e das temperaturas mais altas em toda a Bahia, especialistas reforçam o alerta sobre o câncer de pele, que segue liderando o ranking de incidência no Brasil e no mundo. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 220 mil novos diagnósticos devem ser registrados no país em 2025. Na Bahia, a previsão é de 10.520 casos de câncer de pele não melanoma e outros 250 de melanoma. Apesar dos números altos, médicos lembram que a doença é amplamente evitável quando há cuidados básicos com a exposição ao sol.
O oncologista Marco Lessa, da Oncoclínicas, destaca que a prevenção depende, principalmente, da adoção de medidas de fotoproteção. Ele explica que a exposição prolongada ao sol, acumulada ao longo dos anos — especialmente na infância e juventude — é o principal fator de risco. O também oncologista André Bacellar reforça que esse efeito cumulativo é determinante para o surgimento da doença, e que a proteção diária faz diferença real na redução dos riscos.
O câncer de pele surge a partir do crescimento anormal das células da pele e pode se apresentar na forma melanoma ou não melanoma, que inclui os carcinomas basocelular e espinocelular. Alterações como pintas que mudam de cor, tamanho ou textura, manchas que não cicatrizam ou lesões que aumentam de forma rápida devem ser investigadas. Segundo Lessa, até mesmo o melanoma, considerado o tipo mais agressivo, pode alcançar mais de 90% de chance de cura quando identificado cedo.
Alguns grupos precisam ficar ainda mais atentos: pessoas com pele clara, sardas, cabelos ou olhos claros e histórico familiar têm maior risco para o câncer de pele. No entanto, Bacellar lembra que ninguém está totalmente livre. Ele explica que pessoas negras têm a proteção natural da melanina, mas podem desenvolver o melanoma acral — um tipo agressivo que aparece na sola dos pés, palma das mãos e unhas. “Manchas escuras nessas regiões precisam ser avaliadas rapidamente”, alerta.
Entre as principais medidas de prevenção, estão o uso diário de filtro solar com FPS 30 ou mais, reaplicação do produto a cada duas horas e a proteção mesmo em dias nublados. O oncologista reforça também a importância de evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h, usar roupas com proteção UV, chapéu ou viseira e óculos escuros.
Trabalhadores que passam o dia ao ar livre também merecem atenção redobrada. Um relatório da OIT e da OMS aponta que quase um terço das mortes por câncer de pele não melanoma está ligada ao trabalho sob sol intenso, com risco aumentado em até 60%. Para Bacellar, a mensagem é única: “protetor solar é para todos — do trabalhador rural ao banhista”.