Candidíase e emoções: entenda como o estresse pode favorecer a infecção

A candidíase é uma das infecções mais comuns entre as mulheres. Segundo pesquisa do Ipec, 59% das brasileiras já tiveram ao menos um episódio da doença. Em nível global, o problema atinge cerca de 138 milhões de mulheres todos os anos, conforme dados do Núcleo de Telessaúde de Santa Catarina (2022). Apesar de ser frequentemente associada apenas à vida sexual, a infecção pode surgir em diferentes momentos, como no período menstrual, e também pode afetar os homens.

Provocada pelo fungo Candida albicans, que habita naturalmente o corpo humano, a candidíase ocorre quando há desequilíbrio no organismo, levando à proliferação excessiva do microrganismo. Os sintomas incluem coceira, ardência e corrimento esbranquiçado, muitas vezes recorrentes.

O que nem sempre é percebido é o peso que o emocional tem nesse processo. Situações de estresse, ansiedade e fragilidade do sistema imunológico criam condições ideais para que o fungo se multiplique. De acordo com o ginecologista André Buarque Lemos, da Hapvida, corpo e mente estão diretamente conectados. “O estresse prolongado faz com que o organismo libere cortisol, hormônio que reduz a eficiência das defesas naturais. Esse desequilíbrio abre espaço para a proliferação da Candida”, explica.

Além disso, a ansiedade pode alterar a flora vaginal, aumentando a produção de glicogênio, que serve de alimento para o fungo. Hábitos ligados ao emocional também influenciam, como o consumo excessivo de açúcar e a automedicação em momentos de tensão. Para o psicólogo clínico Mateus Mendonça, é essencial compreender o ciclo: “A candidíase pode ser vista como um sinal de que corpo e mente estão sobrecarregados. O abalo emocional constante prejudica a imunidade e aumenta a chance de recorrência”.

Embora os antifúngicos sejam comumente utilizados, especialistas alertam que apenas o medicamento não resolve o problema de forma definitiva. O tratamento deve incluir mudanças no estilo de vida, como evitar roupas íntimas sintéticas, preferir calcinhas de algodão, manter uma alimentação equilibrada e adotar práticas de relaxamento. Atividades físicas, yoga, meditação e apoio psicológico também ajudam a fortalecer a imunidade.

“Lidar com a candidíase vai além de controlar o fungo; é preciso cuidar do corpo e da mente”, reforça o ginecologista.