Carla Akotirene receberá a Comenda Maria Quitéria na Câmara de Salvador
A intelectual e referência nacional em estudos de raça e gênero, Carla Akotirene, será homenageada com a Comenda Maria Quitéria, no próximo dia 24 de setembro, às 18h, no Plenário Cosme de Farias da Câmara Municipal de Salvador. A honraria é concedida a mulheres que se destacam por sua atuação em defesa da cidade e do estado da Bahia.
A proposta da homenagem partiu do vereador Sílvio Humberto (PSB), economista, ativista do movimento negro e um dos fundadores do Instituto Steve Biko, onde Carla iniciou sua formação crítica sobre racismo e desigualdades sociais ainda nos anos 2000.
Nas redes sociais, a pesquisadora compartilhou com seus mais de 418 mil seguidores no Instagram a emoção pelo reconhecimento. “Essa comenda é concedida por um dos meus formadores, Silvio Humberto. Eu inicio esse processo de reconhecimento do racismo, do patriarcado e das forças coloniais no Instituto Steve Biko. Eu aguardo vocês, eu e minha comunidade ancestral. Axé!”, declarou.
Doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos pela UFBA, Carla é autora de obras de referência como Interseccionalidade (2019), Ó Paí, Prezada (2020) e É Fragrante Fojado Dôtor Vossa Excelência (2024). Seu trabalho articula gênero, raça, classe e território, com destaque para pesquisas sobre o sistema de justiça, políticas públicas e encarceramento de mulheres negras.
Para a homenageada, a força simbólica da heroína Maria Quitéria dialoga diretamente com a realidade das mulheres negras no Brasil. “Assim como ela, somos colocadas diariamente no front de batalha, seja contra a violência do Estado, seja para proteger nossas comunidades”, afirmou.
Carla também relembrou a trajetória das mulheres negras na história do país: “Enquanto homens negros não foram para a cozinha da Casa Grande, as mulheres trabalharam lado a lado em engenhos e plantações. Essa herança segue até hoje, em forma de resistência e enfrentamento.”
Servidora da área da saúde em Salvador, Carla Akotirene acumula mais de 20 anos de atuação em defesa das mulheres negras, seja em espaços institucionais, em pesquisas acadêmicas ou em projetos como a Opará Saberes, criada em 2016 para apoiar o ingresso de pessoas negras em programas de mestrado e doutorado. Atualmente, desenvolve projeto de pós-doutorado na Universidade de Brasília (UnB).