Casa da Ponte, sede da Orquestra Afrosinfônica, é inaugurada no Pelourinho

No coração do Centro Histórico de Salvador, um novo capítulo da música baiana será escrito. No próximo 13 de outubro, às 17h, o maestro Ubiratan Marques inaugura oficialmente a Casa da Ponte, sede da Orquestra Afrosinfônica e da escola Núcleo Moderno de Música, em um casarão do século XVIII completamente restaurado no Largo do Pelourinho. O espaço também abrigará projetos sociais e culturais idealizados pelo maestro, como o Ponte para as Comunidades.

Com 862 m² e tombado pelo Iphan, o imóvel integra a poligonal do Centro Histórico, reconhecido pela Unesco, e tem localização privilegiada — de frente para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e ao lado da Fundação Jorge Amado. O prédio passou por um retrofit, mantendo sua estrutura original, mas incorporando novos espaços, como estúdios de gravação, salas de ensaio e áreas para aulas individuais e coletivas de música.

No quintal, com vista para a Baía de Todos os Santos, será construído um deck com café e área para apresentações, reforçando a proposta da Casa da Ponte de unir o moderno e o ancestral. “É simbólico que esse espaço agora pertença a um projeto voltado à população negra, pensado e conduzido por pessoas negras”, destacou o maestro Ubiratan Marques.

A Casa da Ponte carrega também a história do Núcleo Moderno de Música, escola fundada por Ubiratan e Gilberto Santiago entre 2009 e 2011, onde nasceram a Afrosinfônica e o álbum Branco. De lá para cá, o espaço tem sido ponto de encontro de grandes artistas, como Marisa Monte, Gerônimo, Lazzo Matumbi, Mateus Aleluia e BaianaSystem.

Além de ser sede da orquestra, a Casa abriga o projeto Ponte para a Comunidade, responsável pela formação de oito Orquestras Afrobaianas, em parceria com grupos como Ilê Aiyê, Olodum, Pracatum e Banda Didá, atendendo mais de 1.500 alunos em Salvador.

A programação cultural seguirá intensa, com concertos, ensaios abertos e apresentações especiais nas escadarias da Fundação Jorge Amado. A partir de dezembro, a Orquestra Afrosinfônica promete emocionar o público com uma série de apresentações celebrando a ancestralidade e a força da música afrobaiana.

Foto: Pedro Soares