Casa do Rio Vermelho renasce com o replantio da mangueira símbolo de Jorge e Zélia

O jardim mais literário de Salvador voltou a florescer. Na última terça-feira (21), a Casa do Rio Vermelho celebrou um momento de renovação e afeto com o replantio da mangueira que simboliza a união de Jorge Amado e Zélia Gattai. A nova árvore, da variedade Ubá, foi cultivada com apoio da EMBRAPA e agora ocupa o mesmo espaço onde cresceu a lendária “Carlotinha”, mangueira preferida do escritor.

O evento reuniu familiares, amigos, pesquisadores e admiradores da obra do casal, em um gesto carregado de simbolismo. Sob o pôr do sol, o jardim onde repousam as cinzas de Jorge e Zélia ganhou novamente o verde e a sombra que marcaram décadas de amor, literatura e boas histórias.

A história da mangueira se confunde com a própria história dos dois escritores. Quando chegaram à casa, nos anos 1960, o terreno era tomado por formigas e sapotizeiros. Com cuidado e dedicação, transformaram o local em um pomar exuberante, com pitangueiras, jaqueiras e jambeiros. A pequena manga Carlotinha, “doce e atrevida”, como dizia Jorge, tornou-se símbolo da convivência amorosa do casal — foi sob ela que conversavam, namoravam e sonhavam.

Depois da partida de Jorge, em 2001, e de Zélia, em 2008, o jardim passou a guardar as cinzas dos dois. Porém, o tempo e as pragas urbanas castigaram o espaço: em 2018, as três mangueiras originais — Rosa, Espada e Carlota — foram perdidas. Mais tarde, até o Iroko que brotara em substituição acabou vencido pelos cupins.

Agora, com a nova muda plantada, o espaço renasce, reafirmando o ciclo natural da vida e a permanência da memória. Para Maria João Amado, filha do casal e guardiã da Casa, o momento representa “um novo começo no velho jardim”.

A Casa do Rio Vermelho segue aberta à visitação e reforça seu papel como um espaço vivo da cultura baiana — onde natureza, literatura e amor continuam lado a lado.