Cigarro eletrônico também mata: médicos alertam para riscos do vape e reforçam os perigos do fumo
No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, especialistas em saúde respiratória acendem um alerta importante: apesar da redução no número de fumantes na Bahia — hoje com 9,7% da população adulta fumando, segundo a SESAB — o tabagismo segue causando sérios danos, agora agravado pelo avanço dos cigarros eletrônicos entre os jovens.
De aparência moderna e embalagens chamativas, os vapes vêm conquistando adolescentes com sabores adocicados e a falsa impressão de serem menos nocivos. Mas a realidade é bem diferente. “O vape tem ainda mais nicotina que o cigarro comum, além de outras substâncias tóxicas que causam inflamações pulmonares e riscos reais de dependência química precoce”, alerta Fernanda Aguiar, pneumologista e coordenadora da Medicina Respiratória do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS).
Doenças graves como câncer, problemas cardiovasculares, bronquite crônica e enfisema pulmonar estão entre as mais de 50 enfermidades relacionadas ao tabaco. Uma das consequências mais graves é a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), uma condição irreversível que compromete a respiração e reduz a qualidade de vida. “A DPOC avança de forma silenciosa e, quando diagnosticada, o pulmão já pode estar severamente comprometido”, explica a médica.
Além dos danos internos, o cigarro impacta a saúde bucal, pele, unhas, e acelera o envelhecimento. Fumantes passivos — inclusive crianças — também correm sérios riscos, com aumento de até 30% na chance de desenvolver câncer de pulmão e outras doenças respiratórias.
A boa notícia é que parar de fumar traz benefícios imediatos. Em 20 minutos, a pressão arterial começa a se normalizar. Em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue já reduz. Em poucas semanas, a respiração melhora e a disposição aumenta.
“Parar de fumar é possível em qualquer idade. Com ajuda médica e apoio, muitos baianos já conseguiram vencer esse vício”, reforça Fernanda Aguiar.