Cirurgia robótica avança no tratamento do câncer de pulmão em Salvador
O câncer de pulmão, considerado o mais letal entre os tumores malignos no Brasil, já é responsável por cerca de 30 mil mortes anuais, segundo o Inca. Na Bahia, foram registrados 1.100 óbitos em 2023. Apesar do cenário preocupante, avanços tecnológicos como a cirurgia robótica vêm ampliando as chances de cura e acelerando a recuperação dos pacientes.
Um exemplo é o caso da auditora de contas públicas Renilda Brito Santos, de 53 anos. Sem apresentar sintomas como tosse persistente ou dor no peito, ela descobriu um adenocarcinoma durante exames de rotina. O diagnóstico precoce foi decisivo para o sucesso da cirurgia realizada no Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), conduzida pelo cirurgião torácico Pedro Leite.
“Não tive nenhum sintoma. Foi durante um acompanhamento médico que perceberam uma alteração e recomendaram a biópsia. Graças a Deus e à competência da equipe, passei bem pela cirurgia e sigo agora em tratamento complementar”, relatou Renilda.
A cirurgia robótica é considerada minimamente invasiva. Com visão tridimensional e instrumentos que reproduzem com precisão os movimentos do cirurgião, a técnica reduz riscos, sangramento, tempo de internação e dores no pós-operatório. “Além de incisões menores, há maior preservação da função pulmonar. É um avanço que vem transformando o tratamento do câncer de pulmão no Brasil”, destacou Pedro Leite, que também dirige o Núcleo de Cirurgia Torácica do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).
Outro fator decisivo é o diagnóstico precoce. De acordo com o Inca, apenas 15% dos casos são descobertos em estágio inicial, quando as chances de cura podem ultrapassar 80%. Por isso, especialistas reforçam a importância de exames regulares, sobretudo em pessoas com histórico de tabagismo ou exposição a agentes de risco.
O tratamento do câncer de pulmão exige ainda uma abordagem multidisciplinar, envolvendo pneumologistas, oncologistas, radioterapeutas e cirurgiões. No HMDS, pacientes recebem acompanhamento integrado desde a detecção até as etapas de quimioterapia e acompanhamento clínico.
Histórias como a de Renilda reforçam a importância da combinação entre tecnologia e cuidado humano. “Desde os médicos até a equipe de limpeza, todos me trataram com humanidade, carinho e competência. Isso quebrou o estigma que eu tinha de hospital”, disse a paciente.