Concerto “Barroco Afrofonia” destaca compositores afrodescendentes em apresentação gratuita no Pelourinho

O Núcleo de Música Antiga da Bahia realiza, neste domingo (23), às 11h, mais uma edição do concerto “Barroco Afrofonia”, projeto desenvolvido em parceria entre a Orquestra Sinfônica da Bahia (OSBA) e a Escola de Música da UFBA (EMUS-UFBA). A apresentação, gratuita e sujeita à lotação, acontece na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho, espaço que carrega forte influência da cultura afro-brasileira e torna-se cenário ideal para o diálogo entre música, ancestralidade e memória.

O concerto traz um repertório inteiramente dedicado a compositores afrodescendentes que atuaram entre os séculos XVI e XIX, resgatando vozes e trajetórias muitas vezes invisibilizadas na história da música erudita. Entre os destaques, estão obras dos baianos Damião Barbosa de Araújo e José Pereira Rebouças; do pernambucano Luís Álvares Pinto; do mineiro Emérico Lobo de Mesquita; e do carioca José Maurício Nunes Garcia, além de nomes europeus como o português Vicente Lusitano, o inglês Ignatius Sancho e o francês Chevalier de Saint-George.

Segundo o flautista e professor da UFBA, Lucas Robatto, a proposta do concerto vai além da música. A apresentação incorpora trechos de textos e falas dos próprios compositores e de contemporâneos, trazendo uma dimensão narrativa e cênica que ajuda a contextualizar suas contribuições históricas. Para isso, o Núcleo conta com a participação da atriz e dramaturga Dani Souza, responsável por conduzir o público por essa ambientação poética e histórica.

Formado por músicos da OSBA e da EMUS-UFBA, o Núcleo de Música Antiga da Bahia utiliza instrumentos de época em suas apresentações, explorando sonoridades próprias do período barroco. Integram o grupo José Maurício Brandão (cravo), Lucas Robatto (traverso), Thomaz Rodrigues (violoncelo barroco), Marco Catto (violino e viola barrocos) e Hugo Prio (oboé barroco). A proposta é ampliar repertórios, valorizar obras consagradas e fortalecer a circulação de produções que ajudam a contar a história musical do Brasil.

Com o “Barroco Afrofonia”, o projeto chega à sua segunda edição em 2025, reafirmando a missão de recuperar e divulgar a presença africana na música clássica produzida no Brasil colonial e na Europa. A expectativa é de grande público no Rosário dos Pretos, templo que simboliza resistência, fé e ancestralidade — elementos que dialogam diretamente com o programa apresentado.