Del Feliz critica descaracterização do São João e defende protagonismo do forró na Bahia
O cantor e compositor Del Feliz voltou a público para defender a valorização do forró e alertar sobre a descaracterização das festas juninas na Bahia e em outros estados do Nordeste. Em meio a debates sobre altos cachês e mudanças no perfil das atrações do São João, o artista tem participado de encontros com prefeitos, parlamentares e representantes de órgãos públicos para discutir ajustes no modelo atual das celebrações.
Del Feliz relembrou que essa preocupação não é recente. Em 2015, ao lado de Zelito Miranda, apresentou na Assembleia Legislativa da Bahia uma proposta que deu origem à chamada Lei da Zabumba. A medida foi aprovada por unanimidade, mas nunca regulamentada. Segundo o cantor, o texto já alertava para o risco de perda da identidade cultural do São João e para impactos financeiros que hoje preocupam gestores municipais.
Para o artista, o São João é a festa cultural mais completa do Brasil, reunindo música, gastronomia, figurino, cenografia, poesia e tradições populares. Nesse cenário, o forró ocupa papel central como elemento que dá identidade às celebrações e fortalece o turismo no Nordeste.
Del Feliz argumenta que o aumento dos custos das festas não está relacionado aos artistas e bandas tradicionais de forró, mas à contratação de atrações da grande mídia nacional, com cachês elevados e forte apelo digital. Ele reforça que o debate não é sobre reduzir investimentos, mas garantir espaço e valorização para artistas regionais e manifestações culturais locais.
O cantor também destacou a abertura ao diálogo por parte de prefeitos, como o presidente da Uniao dos Municipios da Bahia (UPB), Wilson Cardoso, além da participação de parlamentares e do Ministério Público nas discussões. Um encontro recente reuniu mais de 80 forrozeiros e gestores públicos para buscar encaminhamentos práticos.
Com trajetória marcada pela defesa do gênero — reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil —, Del Feliz defende união entre poder público, artistas e instituições para preservar a originalidade do São João e manter viva uma das maiores expressões culturais da Bahia e do Nordeste.