Diagnóstico tardio de autismo, TDAH e superdotação transforma vida de psicanalista baiana

Aos 44 anos, a psicanalista Carla Mandolesi recebeu um diagnóstico que mudou completamente sua trajetória: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Superdotação (SD/AH), condição conhecida como dupla excepcionalidade. A descoberta, apesar tardia, representou uma libertação e fortaleceu sua relação com a filha Carol, que também recebeu os mesmos diagnósticos.

Natural da Bahia, Carla viu no diagnóstico não um rótulo, mas uma chance de compreender sua história, acolher suas vivências e se tornar ainda mais ativa na causa neurodivergente. “Ser diagnosticada tardiamente não foi simples. Foi preciso um olhar atento ao meu histórico, e minha mãe teve papel essencial nesse processo”, lembra. Ela conta que os sinais estavam presentes desde a infância, com comportamentos e sensibilidades que já indicavam sua neurodivergência.

Segundo o IBGE, cerca de 2,4 milhões de pessoas no Brasil convivem com o TEA, a maioria ainda na infância. Entre adultos, o número de diagnósticos ainda é pequeno, o que reforça a invisibilização da neurodivergência nessa faixa etária. Já a superdotação atinge aproximadamente 5% da população, embora também seja pouco reconhecida.

Carla transformou o diagnóstico em missão. Formada em psicanálise e atualmente estudante de Psicologia, ela criou um protocolo de atendimento voltado para mães atípicas, unindo meditação, yoga e escuta terapêutica. Em sua página no Instagram, @oautismoemnossasvidas, compartilha experiências, orientações e informações sobre o universo autista com leveza e responsabilidade.

Hoje, ela é uma das principais vozes do ativismo neurodivergente no país, diretora de projetos em uma instituição da área e palestrante em eventos como o seminário “Família Atípica”, realizado em julho, mês de conscientização sobre o TDAH.

“Os maiores desafios não estão no diagnóstico, mas na sociedade despreparada. O autismo não nos define, mas o diagnóstico pode nos libertar e melhorar nossa qualidade de vida”, afirma.