Divórcios crescem 108% na Bahia e especialista explica tipos e caminhos para separação mais tranquila

O número de divórcios na Bahia aumentou 108% entre os anos de 2018 e 2023, de acordo com dados do estudo “Ações Judiciais de Divórcio no Estado da Bahia (2018 a 2023)”, elaborado pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), por meio do Grupo de Pesquisa Judiciária (GPJ). O levantamento detalha a evolução dos pedidos de separação, os tipos mais frequentes de divórcio e aponta mudanças no comportamento dos casais baianos.

Segundo o advogado Victor Macedo, especialista em Direito de Família e sócio do escritório Santos, Novelli & Macedo (SNM) Advogados, o crescimento expressivo está relacionado às transformações nas relações familiares. “Aumentos como esse refletem mudanças na dinâmica dos casamentos e na forma como as pessoas lidam com os conflitos. Hoje há uma busca maior por soluções jurídicas eficazes, rápidas e menos traumáticas”, afirma.

🔍 Entenda as modalidades

De acordo com o estudo, a maior parte dos divórcios na Bahia — 52,3% — ocorre de forma consensual, quando ambas as partes estão de acordo sobre guarda dos filhos, divisão de bens e pensão. Essa modalidade, quando conduzida por um advogado e homologada por um juiz, pode ser concluída em até três meses.

Já o divórcio litigioso, que representa 30,9% dos casos, acontece quando não há consenso. Nesse modelo, o processo pode se prolongar, pois o juiz precisará decidir sobre as divergências entre o casal.

O divórcio extrajudicial, feito diretamente no cartório, representa 4,6% dos casos. Ele só é possível quando não há filhos menores ou incapazes nem gestação em curso. A presença de um advogado é obrigatória, e o procedimento costuma ser resolvido em poucos dias.

🤝 Conciliação é o melhor caminho

Victor destaca que, quando possível, buscar acordos é sempre a melhor escolha. “Conciliações reduzem o desgaste emocional, os custos e desafogam o Judiciário. Separações consensuais tendem a ser mais justas e menos dolorosas”, conclui.