Efeito Madeirite e o “Sinal de Frank”: por que um corpo aparentemente saudável pode esconder riscos cardíacos

A morte súbita do influenciador digital Henrique Madeirite, aos 50 anos, vítima de um infarto fulminante, reacendeu um debate importante sobre saúde cardiovascular — especialmente em homens ativos e aparentemente em forma. Além do impacto nas redes sociais, atenção especial foi dada a um detalhe anatômico observado em fotos do influenciador: uma fenda diagonal no lóbulo da orelha conhecida como “Sinal de Frank”.

O chamado Sinal de Frank, ou prega lobular diagonal, foi descrito pela primeira vez na década de 1970 e consiste em um sulco que cruza o lóbulo da orelha em direção à borda inferior. Desde então, pesquisadores têm investigado se essa característica visível pode estar associada a doenças cardiovasculares, como a aterosclerose e eventos coronarianos graves.

O que a ciência diz sobre o sinal

A presença deste indicador não é consenso na comunidade médica. Estudos observacionais e pesquisas recentes apontam que ele aparece com maior frequência em pessoas que já têm obstruções coronarianas ou doença arterial coronariana, sugerindo que possa ser um marcador adicional para risco vascular. Metanálises e análises estatísticas indicam correlações maiores em grupos específicos, embora o mecanismo fisiológico ainda não esteja totalmente esclarecido.

No entanto, exames clínicos mais robustos e diretrizes das principais sociedades cardiológicas — como a Sociedade Europeia de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Cardiologia — não incluem o Sinal de Frank como critério diagnóstico oficial de risco cardiovascular porque sua capacidade preditiva isolada é limitada.

Pesquisas mais amplas também sugerem que este sinal pode ocorrer em muitas pessoas sem doença cardíaca, especialmente em indivíduos mais velhos devido à perda natural de elasticidade da pele, o que destaca que a presença do sinal não é, por si só, um veredito de doença cardíaca.

Corpo como um sistema integrado

Especialistas em cardiologia e angiologia lembram que o coração funciona como parte de um sistema vascular integrado. Fatores de risco clássicos — como hipertensão, colesterol alto, diabetes, histórico familiar e estilo de vida sedentário — ainda são os pilares mais sólidos para avaliação de risco cardíaco. A presença de um sinal cutâneo, por mais curioso que seja, deve ser interpretada dentro de um contexto clínico completo e acompanhada de exames apropriados, como ecocardiograma, exames laboratoriais e, quando necessário, testes de imagem.

Então, embora a marca no lóbulo da orelha possa chamar atenção e servir como um lembrete adicional para buscar avaliação médica, ela não substitui uma consulta detalhada com um cardiologista e exames de acompanhamento para identificar riscos reais.