Encontro histórico celebra a força do Afropopbrasileiro em Salvador

Uma noite marcada por emoção, ancestralidade e música potente tomou conta do Candyall Guetho Square, em Salvador, na última sexta-feira (31). Margareth Menezes comandou um encontro histórico ao reunir no palco Gilberto Gil, Carlinhos Brown, Nabiyah Be e sete blocos afros da Bahia durante o show Maga Convida, criado para celebrar os 25 anos do álbum Maga Afropopbrasileiro e do movimento cultural idealizado pela artista no início dos anos 2000.

Com o espaço completamente lotado, Margareth conduziu o espetáculo como um grande ritual coletivo. A abertura arrebatadora contou com a participação do Balé Folclórico da Bahia, enquanto canções como “Afrocibernética”, “Dandalunda”, “Toté” e “Selei” deram o tom da celebração, exaltando a força da cultura negra e a identidade baiana. A direção musical ficou por conta da própria cantora ao lado de Tito Oliveira, com direção artística assinada por Vavá Botelho.

O repertório percorreu diferentes fases da carreira de Margareth Menezes e dialogou com gêneros que ajudaram a construir a trilha sonora de Salvador, como o samba-reggae, o coco, o axé e releituras da MPB. Clássicos como “Elegibô”, “Raça Negra” e “Faraó” fizeram o público cantar e dançar do início ao fim, transformando o show em uma verdadeira celebração coletiva.

Os encontros no palco foram um dos pontos altos da noite. Gilberto Gil emocionou o público com músicas que atravessam gerações, como “Palco”, “Vamos Fugir”, “No Woman No Cry” e “Emoriô”. Já Carlinhos Brown, parceiro histórico de Margareth, incendiou a plateia com “Beija Flor”, “Selva Branca” e uma versão marcante de “Dandalunda”, acompanhada pela tradicional volta em torno do Guetho, quando o público forma uma grande ciranda ao redor do palco.

A participação de Nabiyah Be, filha de Jimmy Cliff e afilhada artística de Margareth, trouxe frescor e contemporaneidade ao espetáculo. Juntas, elas interpretaram “Me Abraça e Me Beija”, de Lazzo Matumbi, que acompanhava o show da plateia. No momento mais simbólico da noite, representantes dos blocos afros Olodum, Ilê Aiyê, Cortejo Afro, Filhos de Gandhy, Banda Didá, Muzenza e Malê Debalê ocuparam o palco em um cortejo marcado por canto coletivo e forte presença percussiva. O encerramento, com um arrastão junto ao público e a participação das percussionistas do grupo Filhas do Som, selou uma noite histórica que reafirmou a vitalidade e a relevância do Afropopbrasileiro.

Maga Convida 2026 – Foto Victor Fernandez