Espetáculo “Vovô” chega ao Terreiro Ilê Axé Raízes Obá Kossô Omi em Camaçari
No próximo sábado (23), às 18h, o Terreiro Ilê Axé Raízes Obá Kossô Omi, em Camaçari, recebe o espetáculo “Vovô”, terceira etapa da circulação do projeto Raízes que Povoam. Após passar por Salvador e Lauro de Freitas, a montagem ganha o palco de um dos espaços religiosos mais antigos da cidade, com quase um século de existência. A entrada é gratuita.
A peça propõe uma imersão afetiva na figura do avô negro, símbolo de sabedoria, memória e resistência nas famílias pretas brasileiras. Criado em 2021, durante a pandemia, “Vovô” nasceu em formato virtual e, em 2023, ganhou versão presencial dirigida por Leno Sacramento, do Bando de Teatro Olodum. Com dramaturgia poética, é interpretada pelos atores soteropolitanos Pedro Zaki e Rafa Martins.
Antes da apresentação, das 14h às 16h, será realizado um workshop de introdução à produção cultural voltado exclusivamente para membros do terreiro. A atividade será conduzida por Nell Araújo, fundador do Instituto de Arte e Cultura da Bahia (IAC-BA) e do Teatroescola, primeira escola artística inclusiva do Nordeste. A proposta é capacitar participantes em áreas como elaboração de projetos, comunicação e gestão cultural.
Para o Babalorixá Jorge D’Olwaiyè, líder espiritual do terreiro, o espetáculo reforça a ancestralidade e a importância da arte como forma de preservação. “Ter um espetáculo como Vovô em um terreiro quase centenário demonstra a força da nossa gente. É a forma pura de ensinar sobre ancestralidade, respeito e a presença dos orixás na vida de cada um”, destacou.
O ator e co-criador da peça, Rafa Martins, também ressalta o simbolismo da circulação. “Já apresentamos em diversos espaços, mas o terreiro carrega outra energia. É um lugar que dialoga profundamente com os temas da obra: amor, cuidado, mas também dor e superação.”
Fundado em 1930, o Terreiro Ilê Axé Raízes Obá Kossô Omi é referência histórica e espiritual em Camaçari. Com tradições do candomblé Ketu, o espaço não apenas preserva a religiosidade, mas também desenvolve projetos educativos, culturais e sociais, reafirmando-se como guardião da memória e da identidade afro-baiana.
A última parada do projeto “Raízes que Povoam” será em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano.