Exposição “Ancestral: Afro-Américas” se despede do MUNCAB com programação especial em Salvador

Depois de marcar o calendário cultural de Salvador, a exposição “Ancestral: Afro-Américas” entra em sua reta final no Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB) e se despede do público neste sábado (31) com uma programação especial aberta à visitação. Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em parceria com o MUNCAB, a mostra consolidou o museu como um dos principais espaços de reflexão sobre arte, memória e ancestralidade afro-diaspórica na capital baiana.

A programação de encerramento começa a partir das 11h e das 14h com a performance “Reverência”, concebida e interpretada por Rainha Vânia Oliveira, em diálogo direto com os eixos curatoriais da exposição. A ação conta ainda com a participação do dançarino Clyde Morgan, referência histórica da dança afro-americana na Bahia, e propõe uma experiência sensível que conecta corpo, tempo e ancestralidade. Às 15h, o público poderá acompanhar uma palestra com a curadora da mostra, Ana Beatriz Almeida, aprofundando os debates levantados ao longo da exposição.

Em cartaz desde setembro de 2025 até 1º de fevereiro de 2026, “Ancestral: Afro-Américas” reuniu cerca de 130 obras de mais de 60 artistas do Brasil e dos Estados Unidos, entre nomes consagrados e emergentes. A exposição partiu da celebração dos 200 anos do reconhecimento da independência do Brasil pelos Estados Unidos para revisitar histórias muitas vezes apagadas, lançando luz sobre as múltiplas experiências da diáspora negra nas Américas.

Com curadoria de Ana Beatriz Almeida e direção artística de Marcello Dantas, o percurso expositivo apresentou diferentes linguagens e perspectivas da produção afro-diaspórica contemporânea, promovendo encontros entre passado e presente. Para Júlio Paranaguá, gerente-geral do CCBB Salvador, a mostra encontrou na cidade um território fértil. “Ancestral: Afro-Américas cumpriu um papel fundamental ao aproximar o público de narrativas afro-diaspóricas que atravessam história, arte e contemporaneidade”, afirma.

O encerramento da temporada também conta com música ao vivo, executada por Bira Monteiro, Paulo Sérgio e Luciano Santos, artistas da cena local que dialogam com matrizes afro-brasileiras, integrando som e movimento à experiência expositiva. Para Cintia Maria, diretora-geral do MUNCAB, a mostra deixa um legado importante. “No MUNCAB, Ancestral afirma que a arte negra não é margem. Ela funda territórios, conecta diásporas e escreve futuro”, destaca.