Festas juninas: especialista alerta para riscos de receitas caseiras no tratamento de queimaduras

Comidas típicas, quadrilhas e fogueiras dão o tom das festas juninas. Mas, em meio à celebração, aumentam também os casos de queimaduras causadas por fogos de artifício e fogueiras — e junto com eles, a circulação de “receitas caseiras” para tratar lesões. A prática, porém, pode causar infecções, reações alérgicas e até agravar o quadro clínico, como alerta a enfermeira Letícia Braz, professora do curso de Enfermagem da UNIFACS.

“Receitas como passar pasta de dente, manteiga, borra de café, clara de ovo ou até água sanitária são extremamente perigosas. Esses produtos não são indicados e podem provocar inflamação ou infecção, transformando uma queimadura leve em algo muito mais grave”, explica Letícia.

Segundo a especialista, até mesmo pomadas ou loções que não tenham indicação médica podem atrapalhar a cicatrização. Por isso, o ideal é manter a calma, evitar improvisos e procurar atendimento profissional.

O que fazer em caso de queimadura?

A enfermeira recomenda que, em casos leves ou moderados, o primeiro passo é resfriar a área com água corrente fria por 10 a 20 minutos, sem aplicar gelo. Em seguida, cobrir o local com pano limpo e seco ou gaze estéril. Não estoure bolhas e jamais tente remover roupas grudadas na pele — o ideal é cortar em volta e deixar a retirada para os profissionais.

Já em queimaduras mais graves, com bolhas, pele branca, carbonizada ou perda de sensibilidade, o atendimento médico deve ser imediato. “Muita gente não sente dor nas queimaduras de 3º grau porque os nervos foram danificados, o que não significa que seja menos grave. Pelo contrário”, reforça Letícia.

Como evitar acidentes?

A maioria dos acidentes acontece por descuido. Soltar fogos apenas em locais abertos, longe de vegetação seca e estruturas, é essencial. Evite líquidos inflamáveis, mantenha crianças afastadas, use fósforos longos e tenha sempre água ou extintor por perto.

“São atitudes simples que salvam vidas e evitam traumas duradouros”, conclui a especialista.