Fim de ano aumenta o peso emocional e especialistas alertam para sinais de esgotamento

À medida que dezembro se aproxima, cresce também a sensação de que o corpo e a mente estão funcionando no limite. No ritmo acelerado de metas a cumprir, eventos sociais, compromissos familiares e expectativas acumuladas, muita gente em Salvador e em todo o país sente o impacto emocional típico desse período. A psicóloga Mayrla Pinheiro, da Hapvida, explica por que o cansaço parece maior nessa época e como identificar o momento de desacelerar antes que a exaustão se instale de vez.

Segundo a especialista, o fim do ano concentra uma soma de pressões: fechar pendências profissionais, preparar celebrações, lidar com cobranças internas e externas e ainda administrar o desgaste acumulado dos meses anteriores. Esse conjunto de fatores tem até um apelido bastante usado: a “síndrome de novembro”, expressão que, embora não faça parte do vocabulário clínico, descreve bem a exaustão emocional que muita gente sente. “É a soma da fadiga acumulada ao longo do ano com a pressão final para dar conta de tudo antes da pausa”, explica Mayrla.

Para além do cansaço físico, que costuma melhorar com uma boa noite de sono, a fadiga emocional dá sinais bem mais persistentes. Irritabilidade, queda de concentração, perda de interesse por atividades prazerosas e a sensação constante de estar “no limite” são alguns alertas de que o corpo está pedindo uma pausa real. Ignorar esses sinais, de acordo com a psicóloga, pode levar ao esgotamento, afetar o sistema imunológico e comprometer até momentos que deveriam ser de celebração e descanso.

Mayrla orienta que mudanças simples no dia a dia podem aliviar o peso emocional típico do fim do ano. Priorizar tarefas, delegar responsabilidades e reservar pequenos intervalos de descanso – mesmo que de apenas 15 minutos – ajudam a retomar o equilíbrio. Ela destaca também a prática da atenção plena, que consiste em focar em uma atividade por vez, seja tomar um café, seja lavar a louça, como forma de ancorar a mente no presente e reduzir a ansiedade.

O sono e a alimentação entram como aliados importantes. Um descanso de qualidade regula humor e memória, enquanto refeições equilibradas fornecem energia estável para o cérebro enfrentar o estresse diário. Para a especialista, o conceito de descanso precisa ser encarado com intenção: “Descansar de verdade é se desconectar dos estímulos que geram estresse, não apenas parar de trabalhar”.

Quando as férias chegam, muitas pessoas têm dificuldade de se desligar das obrigações. Para isso, Mayrla recomenda estabelecer limites claros, como reservar um curto período para checar e-mails e deixar o celular distante do restante do dia. A mensagem final da psicóloga reforça a importância de acolhimento consigo mesmo: “Você é mais do que sua produtividade. Seja gentil com você agora – seu corpo e sua mente agradecem”.

Crédito foto: Igor Vetushko