Hanseníase tem cura e diagnóstico precoce evita sequelas na Bahia

Cercada por estigmas e desinformação, a hanseníase segue como uma doença de alta endemicidade na Bahia, mas tem cura e tratamento gratuito disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Causada pela bactéria Mycobacterium leprae, a enfermidade é infectocontagiosa, crônica e, quando diagnosticada precocemente, não provoca sequelas físicas nem compromete a qualidade de vida do paciente.

Conhecida popularmente como lepra, a hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, mas também pode atingir olhos, nariz, mãos, braços, pernas e pés. De acordo com o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos, os sintomas costumam surgir de forma lenta e progressiva. Entre os sinais mais comuns estão manchas claras, avermelhadas ou amarronzadas na pele, geralmente acompanhadas de perda ou alteração da sensibilidade ao toque, ao calor ou ao frio.

“O paciente também pode apresentar formigamentos, fisgadas, diminuição da força muscular, redução do suor em determinadas áreas do corpo e presença de nódulos”, explica o especialista. Quando não tratada, a doença pode causar sequelas como deformidades nas mãos e nos pés, fraqueza muscular, cegueira e incapacidade física.

Dados do relatório epidemiológico de 2025 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil registrou 22.129 novos casos de hanseníase em 2024, mantendo o país como o segundo no mundo em número absoluto de notificações, atrás apenas da Índia. Na Bahia, segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), os casos cresceram nos últimos dois anos: foram 1.746 registros em 2025, contra 1.652 em 2024, um aumento de 5,38%.

A hanseníase está presente em todas as regiões do estado e tem forte associação com desigualdades sociais, como acesso precário à moradia, alimentação e educação. Salvador, Feira de Santana, Juazeiro, Alagoinhas, Barreiras, Porto Seguro e Barra lideram o número de notificações. A maior incidência é entre homens, embora tenha sido observado aumento de casos em menores de 15 anos.

A transmissão ocorre por meio de gotículas de saliva e secreções eliminadas por pessoas infectadas que ainda não iniciaram o tratamento, principalmente em situações de convívio próximo e prolongado. O diagnóstico é clínico e o tratamento, feito com antibióticos por seis a 12 meses, interrompe a transmissão logo após o início, sem necessidade de isolamento social.