II Congresso de Laboratórios Oficiais debate inovação e soberania em Salvador

O fortalecimento da soberania nacional e a descentralização da produção de medicamentos marcaram a abertura do II Congresso de Laboratórios Oficiais do Brasil, realizado na quarta-feira (24), no Gran Hotel Stella Maris, em Salvador. Com o tema “Construindo um modelo de governança para a base produtiva e tecnológica do SUS”, o encontro reuniu representantes do Ministério da Saúde, Bahiafarma, FINEP, Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) e Associação dos Laboratórios Farmacêuticos Oficiais do Brasil (Alfob), organizadora do evento.

A solenidade contou com a presença de lideranças como Julieta Palmeira (FINEP), Denis Soares (UFBA), Ceuci Nunes (Bahiafarma), Eduardo Jorge (Ministério da Saúde), Jorge Souza Mendonça (Alfob) e Roberta Santana (Sesab), além da aula magna do professor e ex-ministro da Saúde Reinaldo Guimarães.

As discussões abordaram a inovação tecnológica como estratégia para fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e reduzir a dependência externa. Entre os projetos destacados esteve a iniciativa da Bahiafarma para desenvolver medicamentos pediátricos inéditos contra a anemia falciforme, doença com alta incidência na Bahia. “Nós somos peças fundamentais para a soberania do país, principalmente através do SUS. É fundamental momentos como esse para nos conectarmos e atuarmos em rede”, afirmou Ceuci Nunes.

O congresso também reforçou o movimento de regionalização. Depois da primeira edição em Brasília, a realização do evento na Bahia simboliza a descentralização de ações antes concentradas nos eixos Sudeste e Centro-Oeste, ampliando o alcance para diferentes territórios.

A aula magna de Reinaldo Guimarães destacou a necessidade de consolidar o CEIS como política de Estado. Para ele, investir em inovação e reduzir a dependência internacional são caminhos essenciais para fortalecer o SUS e projetar o Brasil no cenário global.

O debate ocorre em um contexto de retomada do CEIS, que prevê até 2026 investimentos de R$ 60 bilhões — sendo R$ 20 bilhões públicos e R$ 40 bilhões privados. Somente em 2025, foram anunciados R$ 2,4 bilhões em novos projetos, incluindo parcerias para o desenvolvimento produtivo, vacinas, inteligência artificial aplicada à saúde e doenças negligenciadas.

Ao todo, mais de 300 propostas já foram apresentadas por laboratórios associados à Alfob, reafirmando o papel estratégico dessas instituições para a ciência, a saúde e a soberania do Brasil.