Ilê Aiyê leva legado afro-indígena de Maricá para a avenida no Carnaval de 2026

Para celebrar 52 anos desde o seu primeiro desfile pelas ruas de Salvador, o Ilê Aiyê promete transformar o Carnaval de 2026 em um grande encontro entre passado e presente. Com o tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, o primeiro bloco afro do Brasil resgata a memória e a ancestralidade de povos que ajudaram a construir a identidade brasileira, conectando simbolicamente a Bahia ao Rio de Janeiro por meio da história, da cultura e da luta.

Ao escolher Maricá como eixo do enredo, o Ilê amplia o olhar sobre o legado afro-indígena de uma cidade marcada pela diversidade cultural e pela resistência. Na avenida, o desfile se transforma em espaço de aprendizado e reverência, reafirmando o Carnaval como palco de memória, educação, política e afirmação identitária. Os tambores da Band’Aiyê conduzem uma narrativa que celebra saberes ancestrais transmitidos de geração em geração.

A edição de 2026 também marca a estreia do reinado da Deusa do Ébano Carol Xavier, moradora de Sussuarana, ao lado das princesas Sarah Moraes, também de Sussuarana, e Stephanie Ingrid, do Nordeste de Amaralina. Juntas, elas assumem a missão de conduzir o Mais Belo dos Belos na maior festa de rua do mundo, simbolizando força, representatividade e continuidade.

A programação começa no sábado, 14 de fevereiro, com a tradicional cerimônia de saída do Curuzu, no Circuito Mãe Hilda, a partir das 20h. O ritual, um dos momentos mais emocionantes do Carnaval do Ilê, reúne cânticos, oferendas e símbolos de fé, abrindo os caminhos para mais um desfile histórico. Após a saída, o bloco segue até o Plano Inclinado da Liberdade e, na madrugada de domingo (15), estreia no circuito oficial Osmar, em direção à Praça Castro Alves.

Na segunda-feira (16), o Ilê volta a desfilar no Campo Grande, com concentração no Corredor da Vitória, e encerra a maratona na terça-feira (17) com a tradicional pipoca, reafirmando sua conexão direta com o povo. O domingo à tarde é reservado ao Bloco Erê, ala infantil que reúne centenas de crianças no Curuzu, reforçando o compromisso do Ilê com educação, pertencimento e orgulho das raízes africanas desde cedo.

Com o Carnaval de 2026, o Ilê Aiyê reafirma o Brasil como território onde a ancestralidade africana criou raízes e segue pulsando com força, celebrando resistência, memória e identidade.