Ilê Aiyê reúne Cortejo Afro e Irmãos no Couro em ensaio que aquece o Carnaval no Pelourinho
O clima de Carnaval já toma conta do Centro Histórico de Salvador. Neste sábado (31), o Ilê Aiyê realiza seu último Ensaio Geral antes de ir para a avenida, reunindo convidados especiais na Praça das Artes – Mestre Neguinho do Samba, no Pelourinho. A partir das 20h, a Band’Aiyê recebe o Cortejo Afro e o grupo Irmãos no Couro para uma noite que promete antecipar a força estética, musical e política do bloco afro mais antigo do Brasil.
O ensaio funciona como uma prévia do espetáculo cênico-musical que o Ilê Aiyê apresenta todos os anos, saindo do Curuzu em direção ao Circuito Campo Grande, acompanhado por associados e admiradores da musicalidade afro-baiana. No palco, a percussão marcante da Band’Aiyê dialoga com a sonoridade sofisticada do Cortejo Afro, que mistura ritmos de matriz africana, música eletrônica, MPB, pop e influências latinas, criando pontes entre tradição e contemporaneidade.
A programação conta ainda com a participação do projeto Irmãos no Couro – Escola de Toques Afros, referência no samba de terreiro em Salvador. O grupo leva ao público cantigas, toques e ensinamentos herdados de mestres e mais velhos das religiões de matriz africana, com vivências construídas em diferentes terreiros e nações, como Ketu e Angola. A presença do coletivo reforça a dimensão ancestral, religiosa e identitária que marca a trajetória do Ilê Aiyê.
A noite também será especial pela primeira apresentação oficial da nova Deusa do Ébano, Carol Xavier, moradora de Sussuarana. Ela se prepara para conduzir o bloco pelas ruas no Carnaval e já antecipa a identidade visual da folia. O figurino da Rainha será confeccionado com o mesmo tecido que vestirá os associados do Ilê Aiyê em 2026, reforçando o conceito estético do desfile.
Inspirado no tema “Turbantes e Cocares: a história de resistência do povo afro e indígena de Maricá”, o ensaio adianta a narrativa que o bloco levará para as ruas, destacando a valorização da ancestralidade, da memória e da conexão entre Bahia e Rio de Janeiro. Mais do que um show, o Ensaio Geral reafirma o Carnaval como espaço de educação, resistência e afirmação da cultura negra e afro-indígena.