Inclusão de autistas em condomínios ganha destaque no Abril Azul

O Dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo, celebrado em 2 de abril, reforça a importância de ampliar o debate sobre inclusão, especialmente em espaços coletivos como condomínios. Durante o chamado Abril Azul, especialistas destacam que informação e adaptação são fundamentais para reduzir conflitos e garantir convivência respeitosa com pessoas com Transtorno do Espectro Autista.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 70 milhões de pessoas no mundo estão no espectro autista. No Brasil, são aproximadamente 2 milhões, o que torna cada vez mais comum a presença de pessoas autistas em ambientes residenciais compartilhados.

A legislação brasileira também avançou no tema. A Lei nº 13.977/2020, conhecida como Lei Romeo Mion, criou a Carteira de Identificação da Pessoa com TEA, garantindo prioridade no atendimento e acesso a serviços. A norma complementa a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

O assunto foi discutido no podcast CondComunica, que abordou desafios e soluções para a convivência em condomínios. Durante o episódio, a advogada e psicóloga Carla Guedes relatou o caso de uma família que sofria penalizações por barulho sem que os moradores soubessem que se tratava de uma criança autista. Após o reconhecimento da situação, o condomínio adotou medidas simples, como horários diferenciados para uso de áreas comuns, reduzindo conflitos e cancelando multas.

Para a especialista, a inclusão vai além de investimentos financeiros. “Adaptação tem a ver com comunicação e conhecimento”, destacou. A advogada Fabiani Borges reforçou que a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos. Segundo ela, compreender o autismo é essencial para evitar julgamentos e preconceitos.

Entre as soluções apontadas estão adaptações razoáveis, como criação de “horas silenciosas”, redução de estímulos sonoros e luminosos, implantação de espaços sensoriais e capacitação de funcionários. Essas medidas ajudam a tornar o ambiente mais acessível e acolhedor.

Com a crescente presença de pessoas autistas nos espaços urbanos, especialistas destacam que a construção de ambientes inclusivos passa, прежде de tudo, pela conscientização coletiva. A proposta é garantir que todos possam conviver com dignidade, respeito e segurança dentro dos condomínios.