Insônia e “dezembrite”: Salvador recebe congresso que debate impacto do fim de ano no sono
Com a chegada de dezembro, cresce também o combo de ansiedade, estresse e cansaço que muitos brasileiros já apelidaram de “dezembrite”. O aumento de compromissos, metas acumuladas e cobranças emocionais faz o sono desandar, e isso aparece nos números: segundo a Academia Brasileira do Sono (ABS), o brasileiro dorme, em média, só 6,4 horas por noite — bem abaixo do ideal. Hoje, cerca de 73 milhões de pessoas sofrem com insônia. Para discutir esse cenário e apresentar soluções, Salvador sediará, entre 3 e 6 de dezembro de 2025, o XXI Congresso Brasileiro do Sono, no Centro de Convenções.
A ABS alerta que noites mal dormidas impactam todo o funcionamento do corpo: prejudicam o humor, comprometem foco e memória, aumentam riscos cardíacos, desequilibram o metabolismo, reduzem imunidade e agravam ansiedade e depressão. Para o presidente da entidade, o Dr. Edilson Zancanella, dezembro funciona como uma lupa para esse problema. “Vivemos em estado permanente de alerta. O cérebro não desliga, e o fim do ano amplifica tudo. Metas, prazos e hiperconectividade criam o cenário perfeito para o desastre fisiológico do sono”, explica.
O congresso chega a Salvador com a proposta de atualizar profissionais e ampliar o debate público sobre o tema. A programação reúne especialistas brasileiros e internacionais para discutir inteligência artificial aplicada à medicina do sono, terapias emergentes, canabinóides, novas tecnologias de diagnóstico e tratamentos para apneia, pernas inquietas e insônia associada à depressão. O evento é organizado pela ABS em parceria com a Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS) e a Associação Brasileira de Odontologia do Sono (ABROS).
A presidente do congresso na Bahia, a Profa. Dra. Cristina Salles, destaca o papel do encontro neste momento do ano, quando o esgotamento emocional costuma atingir seu pico. “Estamos unindo ciência, tecnologia e cuidado humano. O desafio é mostrar, com base em evidências, que é possível dormir melhor e viver melhor”, afirma.
Com o avanço da tecnologia, o mundo digital se tornou, ao mesmo tempo, vilão e aliado do sono. Se por um lado estimula vícios de tela e atrapalha o descanso, por outro vem trazendo soluções como aplicativos, monitoramento inteligente e terapias digitais. Para a ABS, entender e equilibrar esses extremos é uma urgência de saúde pública — especialmente num país onde dormir pouco virou hábito.