Janeiro Verde reforça alerta para câncer de colo do útero, com Bahia liderando casos no Nordeste
A campanha Janeiro Verde chama atenção para um dado preocupante: a Bahia lidera o número de novos casos de câncer de colo do útero na região Nordeste. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o estado registra cerca de 1.160 novos diagnósticos da doença por ano. Considerado o terceiro tipo de câncer mais comum entre mulheres no Brasil, o câncer cervical segue como um desafio de saúde pública, especialmente em regiões de alta desigualdade no acesso à informação e à prevenção.
Segundo especialistas, a falta de conhecimento ainda é um dos principais obstáculos no enfrentamento da doença. “O Janeiro Verde é um alerta necessário sobre a importância dos exames preventivos, da vacinação contra o HPV e da adoção de um estilo de vida saudável”, afirma a oncologista Luciana Landeiro, da Oncoclínicas.
A infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), transmitido principalmente por relações sexuais sem preservativo, é o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo do útero. Entre os mais de 200 subtipos do vírus, os tipos HPV-16 e HPV-18 são considerados de alto risco. Outros fatores também contribuem para o surgimento da doença, como início precoce da vida sexual, tabagismo, higiene íntima inadequada e comportamento sexual de risco.
A vacinação contra o HPV é apontada como uma das ferramentas mais eficazes de prevenção. Disponível gratuitamente no SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos, a vacina foi ampliada até junho de 2026 para jovens de até 19 anos que não se imunizaram na idade recomendada. “A imunização protege contra o câncer de colo do útero e outras neoplasias associadas ao HPV”, reforça a oncologista Daniela Barros.
Além da vacinação, o rastreamento regular por meio do exame preventivo (Papanicolau) é fundamental. “O exame consegue identificar lesões precursoras ou tumores em fase inicial, quando as chances de cura ultrapassam 95%”, destaca Hamanda Nery, da Oncoclínicas.
Em fases iniciais, a doença costuma ser silenciosa. Sintomas como sangramento vaginal anormal, dor durante a relação sexual, secreção com odor forte e dor pélvica tendem a surgir em estágios mais avançados. “Ao perceber qualquer alteração, é essencial procurar atendimento médico imediatamente”, orienta o oncologista Daniel Brito.
A Estratégia Global da Organização Mundial da Saúde prevê eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030, baseada em três pilares: vacinação, rastreamento e tratamento adequado. O Brasil é signatário do compromisso, e a conscientização continua sendo uma das principais armas para alcançar essa meta.