Joalheiros inovam para driblar alta do ouro e conquistar clientes em Salvador

Com aumento de 32,06% no preço do metal em 12 meses, setor aposta em criatividade, tecnologia e capacitação para se manter competitivo

A valorização histórica do ouro no mercado internacional tem gerado impactos diretos na produção e comercialização de joias em Salvador. Nos últimos 12 meses, o mineral registrou alta de 32,06%, segundo o relatório Desempenho da Mineração Baiana 2025, produzido pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE).

A economista mineral da SDE, Ana Cristina Magalhães, explica que o movimento foi impulsionado pela demanda dos bancos centrais, que ampliaram suas reservas em um contexto de incerteza econômica e geopolítica.

Desafios para os joalheiros

O aumento de preços impactou diretamente fabricantes e consumidores. Segundo Flaviws Silva, professor de Joalheria no Centro Gemológico da Bahia (CGB), além da queda na demanda, muitos fornecedores têm retido o metal esperando novas altas, o que dificulta ainda mais o acesso à matéria-prima.

Para se adaptar, os joalheiros vêm apostando em estratégias criativas. Andressa Lobo, ourives e monitora do CGB, destaca a preferência crescente por peças de prata com banho de ouro e por joias mais leves, com maior uso de pedras preciosas. Já Antônio Rios, fabricante de joias, ressalta que o ouro também passou a ser visto como investimento seguro, incentivando o reaproveitamento de peças antigas.

A tecnologia também tem colaborado: a impressão 3D permite criar peças leves e em maior escala. Ainda assim, profissionais como Wilton Almeida, ex-aluno do CGB, reforçam a importância da mão de obra artesanal: “O acabamento é o diferencial de uma joia; a tecnologia facilita, mas não substitui o trabalho manual”.

Capacitação e futuro do setor

Diante desse cenário, a formação profissional ganha destaque. Localizado no Centro Histórico de Salvador, o CGB oferece cursos de Lapidação, Joalheria, Design de Joias e Gemologia Básica — únicos no Nordeste nesse formato.

“O conhecimento adquirido nos cursos do CGB é essencial não só para quem deseja empreender no setor, mas também para famílias que dependem dessa atividade para sobreviver”, afirma Flaviws Silva.

O secretário da SDE, Angelo Almeida, reforça:

“No cenário atual, é justamente a qualificação que permite ao setor se reinventar, superar os desafios e continuar crescendo. Iniciativas como os cursos do CGB são fundamentais para o desenvolvimento e a resiliência da nossa cadeia produtiva.”

As inscrições para os cursos podem ser feitas presencialmente na sede do CGB, na Rua Gregório de Matos, 27, Centro Histórico de Salvador. Interessados devem ter idade mínima de 18 anos e ensino fundamental completo. Informações pelo telefone: (71) 3115-7904.