Julho Amarelo chama atenção para hepatites virais, doenças silenciosas que podem ser fatais
Com mais de 785 mil casos confirmados e quase 90 mil mortes registradas entre 2000 e 2023, as hepatites virais seguem sendo um problema de saúde pública no Brasil. Para alertar a população sobre os riscos dessas doenças silenciosas, a campanha Julho Amarelo reforça, todos os anos, a importância da testagem precoce e da prevenção.
Segundo o infectologista Marcelo Cordeiro, do Sabin Diagnóstico e Saúde, o perigo está justamente no silêncio: “As hepatites virais não costumam apresentar sintomas por muitos anos. Mesmo com o fígado sendo afetado, a pessoa pode se sentir bem, sem dor, febre ou qualquer sinal aparente.”
As formas de transmissão variam entre os tipos de hepatite. A e E, por exemplo, são geralmente contraídas através de água ou alimentos contaminados. Já os tipos B, C e D são mais graves e transmitidos por contato com sangue infectado, relações sexuais sem proteção ou o uso compartilhado de objetos como agulhas, alicates ou escovas de dente.
Prevenir é possível – e necessário. Vacinas eficazes estão disponíveis para os tipos A e B. Além disso, o uso de preservativos, a esterilização de materiais e o cuidado com objetos de uso pessoal são atitudes simples que fazem diferença.
Outro ponto-chave é o diagnóstico precoce. Exames de sangue — como testes rápidos ou sorologias — são capazes de identificar o vírus antes que ele cause danos mais sérios ao fígado. O ideal é que grupos mais vulneráveis, como pessoas com ISTs, imunossuprimidas ou que não usam preservativo, façam testagens com regularidade.
Quanto ao tratamento, o tipo de hepatite define a abordagem. As formas A e E geralmente não exigem medicamentos, apenas repouso e hidratação. Já a hepatite B pode ser controlada com antivirais, e a hepatite C tem cura em mais de 95% dos casos com medicamentos modernos.
A mensagem do Julho Amarelo é clara: o diagnóstico pode salvar vidas. Ficar atento aos riscos, se prevenir e realizar exames periódicos são atitudes essenciais para enfrentar esse inimigo invisível.