Lavagem do Divino mantém viva tradição centenária de fé em Boipeba

A Ilha de Boipeba voltou a reunir fé, cultura e ancestralidade durante a tradicional Lavagem da Igreja do Divino Espírito Santo, uma das celebrações religiosas mais antigas do Brasil. Com 410 anos de história contínua, o evento reuniu moradores, baianas, adeptos do Candomblé, devotos católicos e turistas em um cortejo marcado pela união entre diferentes crenças e pela valorização das tradições do Baixo Sul da Bahia.

A celebração tem origem em 1616, quando a freguesia do Divino Espírito Santo foi criada na ilha pelo bispo de Salvador, Dom Constantino Barradas. Desde então, a festa atravessa gerações mantendo viva uma herança cultural que mistura manifestações religiosas, cultura popular e identidade comunitária.

Entre os momentos mais simbólicos da programação estão a lavagem da igreja, a procissão, o novenário, a condução da bandeira do Divino e as rodas de samba que tomam conta das ruas da ilha. O evento também movimenta a economia local, atraindo visitantes de diferentes partes do Brasil e do exterior interessados na tradição preservada em Boipeba.

Para a secretária municipal de Cultura de Cairu, Cíntia Palma, a celebração representa mais do que um evento religioso. “A Lavagem do Divino mostra a beleza da união entre diferentes crenças e mantém viva a história de um povo que preserva sua cultura há séculos”, afirmou.

A Igreja do Divino Espírito Santo segue como um dos principais símbolos históricos e culturais de Boipeba, sendo o centro de uma tradição que resiste ao tempo e reforça o sentimento de pertencimento da comunidade local.

Localizada no arquipélago de Cairu, a ilha de Boipeba fica a cerca de 26 quilômetros de Morro de São Paulo e é conhecida pelas praias preservadas, tranquilidade e forte ligação com a cultura popular e o mar.