Maior retrospectiva de Vik Muniz chega a Salvador com mais de 200 obras no MAC_BAHIA

Salvador recebe, a partir de 13 de dezembro, a maior retrospectiva já realizada do artista brasileiro Vik Muniz. A mostra “A Olho Nu”, apresentada pelo Ministério da Cultura e pela BB Asset e realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), ocupará o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC_BAHIA), no bairro da Graça, até 29 de março de 2026. A abertura oficial acontece no dia 12, e o público poderá visitar gratuitamente a exposição a partir do dia seguinte.

Depois de reunir mais de 70 mil visitantes em Recife, a retrospectiva chega ampliada a Salvador, com mais de 200 obras distribuídas em 37 séries, incluindo quatro peças inéditas no MAC_BAHIA: Queijo (Cheese), Patins (Skates), Ninho de ouro (Golden nest) e Suvenir #18. A curadoria é assinada por Daniel Rangel, diretor do MAC_BAHIA, que destaca a intenção de aproximar o trabalho do artista da cultura local.

Além da ocupação no museu, o projeto se desdobra em outros dois espaços da cidade. O ateliê de Vik Muniz, no Santo Antônio Além do Carmo, receberá encontros e visitas, enquanto a Galeria Lugar Comum, na Feira de São Joaquim, exibirá uma instalação inédita feita especialmente para o local, inspirada na obra Nail Fetish. É a primeira vez que o artista leva uma obra sua para a feira.

Logo na entrada da exposição, o público encontrará o núcleo de esculturas tridimensionais, ponto de partida da trajetória do artista e fundamental para entender sua passagem para a fotografia. A mostra exibe parte da série Relicário (1989–2025), não apresentada desde 2014, além de obras que revelam como Vik utiliza materiais inusitados, aproximando sua produção da arte pop e das referências populares.

Entre os destaques do percurso estão também três obras nunca vistas no Brasil, Oklahoma, Menino 2 e Neurônios 2, antes exibidas apenas em Nova York e no Instituto Ricardo Brennand. O encerramento da mostra apresenta a série Dinheiro Vivo (2023), desenvolvida com a Casa da Moeda do Brasil a partir de fragmentos de papel-moeda.

O curador Daniel Rangel explica que a exposição segue uma linha do tempo que revela a evolução do artista, desde as primeiras esculturas até a criação de cenas pensadas exclusivamente para a fotografia. Ele destaca ainda a ideia de Vik Muniz como um “fotógrafo agricultor”, criador de imagens que não existem até serem montadas e registradas, método evidente em séries icônicas como Crianças de açúcar (1996).

Reconhecido internacionalmente, Vik Muniz utiliza materiais como algodão, açúcar, chocolate, pigmentos e lixo para compor imagens que desafiam a percepção do público. Sua obra mistura humor, crítica social e ilusão, convidando o visitante a enxergar “a olho nu” os processos que dão vida às composições.