Movimento no Rio Vermelho propõe celebrar Iemanjá com consciência ambiental
Uma nova forma de vivenciar os festejos em homenagem a Iemanjá ganha espaço no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, entre os dias 31 de janeiro e 2 de fevereiro. O Odociabá Delas (Odò fì yà bá), movimento cultural de economia criativa, propõe unir fé, cultura afro-brasileira e responsabilidade ambiental, defendendo oferendas sustentáveis e práticas conscientes para preservar o mar da Baía de Todos-os-Santos.
Com uma programação que mistura música, artesanato e reflexão, a iniciativa ocupa a Casa Odociabá, localizada na Rua Odilon dos Santos, nº 202, em frente ao Shopping Rio Vermelho. Ao longo dos três dias, o espaço recebe shows musicais intimistas, exposições de artesanato sustentável e atividades culturais que convidam o público a repensar o impacto ambiental das celebrações tradicionais dedicadas à Rainha do Mar.
Na programação musical, o público confere, no dia 31 de janeiro, apresentação do grupo Bambeia; no dia 1º de fevereiro, o Samba de Oyá; e no dia 2 de fevereiro, data dedicada a Iemanjá, os shows de DJ Belle e Viola de Doze. Ainda no dia 2, acontece o Almoço Delas, com feijoada ou maniçoba assinadas pelo chef Victor Bittencourt. A participação nos shows e no almoço é condicionada à inscrição prévia pela plataforma Sympla, onde o evento está disponível com o nome Odociabá Delas.
Durante todo o dia, o público pode visitar o espaço Artesanato Delas, que reúne peças produzidas a partir de princípios sustentáveis. Cerâmicas, roupas confeccionadas com tecidos reutilizados, biojoias feitas com cápsulas de café, canecas, pinturas de Iemanjá, além de camisas e bonés temáticos integram a exposição, valorizando a criatividade, a identidade cultural e o cuidado com o meio ambiente.
A proposta central do movimento é celebrar Iemanjá sem agredir o mar. “A melhor oferenda para Iemanjá é um mar limpo. Nossa fé não pode estar dissociada da responsabilidade com as águas, que são sagradas”, afirma Anne Cristina Nogueira, coordenadora de empreendedorismo da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB) e idealizadora do Odociabá Delas. O movimento também reforça orientações já defendidas por lideranças religiosas, como o uso de flores naturais sem embalagens e a adoção de gestos simbólicos que preservem o ecossistema, mostrando que tradição e futuro podem caminhar juntos.