‘Nevrose’, curta baiano dirigido por Ana do Carmo, estreia em festival nos EUA
O curta-metragem “Nevrose”, dirigido pela cineasta Ana do Carmo e com produção executiva de Rubian Melo, fará sua estreia mundial no Atlanta Women’s Film Festival, que acontece entre os dias 24 e 28 de setembro, em Atlanta, Geórgia (EUA). A sessão de exibição do filme será no próximo dia 26.
O suspense, com 16 minutos de duração, apresenta a história de Francisca, médica que, após perder a filha, desenvolve uma obsessão em salvar vidas. Seu caminho se cruza com o de uma mulher que não deseja ser salva, colocando em conflito sua dor e sua compulsão pela cura. O elenco conta com Josi Varjão, Tainah Paes, Sara Barbosa e Jota Silva.
Cinema baiano em destaque internacional
Para a diretora, a estreia marca não apenas a conquista de novas plateias, mas também a valorização da produção audiovisual feita na Bahia.
“Ver nosso filme chegar a Atlanta é motivo de orgulho, sobretudo em um festival que celebra a assinatura artística de mulheres. Estar nesse espaço com uma obra concebida por uma equipe majoritariamente feminina e negra é reafirmar a potência e pluralidade do cinema baiano e brasileiro”, destaca Ana.
Adaptado dos contos Nevrose e A Suicida, da escritora oitocentista Délia, o filme deriva do corte da diretora para o capítulo homônimo do longa antológico “Insubmissas”. Para Ana, revisitar a obra foi um processo de aprofundamento estético:
“Cada ajuste de ritmo, cada cena ressignificada abriu caminhos para ampliar a dimensão dramática das personagens. É também um convite a encarar o abismo que nos habita e reconhecer a força que emerge ao atravessá-lo”.
Próximas exibições e bastidores
Após Atlanta, o curta segue para o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul: Brasil, África, Caribe e outras Diásporas, no Rio de Janeiro, onde fará sua estreia nacional.
“Nevrose” é uma produção da Daza Filmes e Saturnema Filmes, com distribuição da Tarrafa Produtora e Distribuidora. A Saturnema, produtora baiana de ficção científica, terror e fantasia formada por equipe 100% negra, acumula mais de 30 prêmios e prepara seu primeiro longa, Sol a Pino, previsto para 2026. Já a Tarrafa, de Pernambuco, é especializada em distribuição de obras audiovisuais e já circulou mais de 60 curtas em festivais no Brasil e no exterior.