Nova diretriz alerta para risco de morte súbita causada por cardiomiopatia hipertrófica
Silenciosa, hereditária e potencialmente fatal, a cardiomiopatia hipertrófica (CH) está entre as principais causas de morte súbita em jovens atletas e adultos em plena atividade física. A condição provoca o espessamento anormal do músculo cardíaco, principalmente no ventrículo esquerdo, e pode afetar até meio milhão de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Em 2023, a SBC lançou a primeira diretriz nacional sobre a doença, reunindo mais de 70 especialistas com recomendações sobre diagnóstico, rastreamento familiar, avaliação de risco e opções de tratamento. O cardiologista Sérgio Câmara, que atua na Rede D’Or da Bahia e no Hospital Português, em Salvador, alerta: “O grande perigo é que, na maioria das vezes, a doença não dá sinais claros. Muitos só descobrem após um desmaio ou, infelizmente, depois de uma morte súbita durante exercícios”.
Sinais que exigem atenção
A maioria dos casos não apresenta sintomas evidentes. Quando aparecem, podem incluir cansaço excessivo, palpitações, tonturas e dor no peito, sintomas muitas vezes confundidos com estresse ou sedentarismo. Por ser uma doença genética, cada filho de um portador tem 50% de chance de herdar a condição.
A diretriz recomenda rastrear familiares de primeiro grau com ecocardiograma, exames clínicos e, em alguns casos, testes genéticos, mesmo sem sinais aparentes.
Diagnóstico e tratamento
O ecocardiograma é o exame mais utilizado para identificar o espessamento do coração, enquanto a ressonância magnética oferece maior detalhamento em situações específicas.
O tratamento varia conforme os sintomas e a gravidade:
- Medicamentos podem controlar os casos sem obstrução.
- Cirurgias ou ablação septal alcoólica são indicadas em obstruções graves.
- Pacientes com risco elevado podem receber um desfibrilador cardíaco implantável (CDI), considerado “um verdadeiro salva-vidas”, segundo o especialista.
Entre as novidades, o medicamento mavacamten (Camzyos), aprovado pela Anvisa em 2023, representa avanço no controle da doença, mas ainda tem acesso restrito devido ao alto custo.
Esporte e prevenção
A CH é uma das principais causas de morte súbita em atletas jovens. Sintomas como desmaios, dores no peito ou palpitações durante a prática esportiva devem ser investigados, especialmente em pessoas com histórico familiar de doenças cardíacas.
“Estamos falando de uma condição que pode ser identificada com um simples ecocardiograma. Quanto antes o diagnóstico, maior a chance de evitar uma tragédia”, conclui Sérgio Câmara.