Obesidade sarcopênica: quando o excesso de gordura e a perda de massa muscular andam juntos

A chamada obesidade sarcopênica tem preocupado médicos e especialistas por combinar dois problemas de saúde que, à primeira vista, parecem opostos: o excesso de gordura corporal e a perda de massa muscular. De acordo com o Journal of Cachexia, Sarcopenia and Muscle, cerca de 12% dos adultos acima dos 40 anos apresentam algum grau dessa condição, que aumenta o risco de doenças metabólicas, cardiovasculares e de perda de mobilidade.

A endocrinologista e professora da Faculdade Zarns, Dra. Mariana Lopes, explica que a obesidade sarcopênica ocorre quando o indivíduo tem índice de massa corporal elevado, mas apresenta baixa força e massa muscular. “É uma condição complexa e silenciosa, que tende a aparecer em idosos, mas que temos observado cada vez mais cedo, principalmente entre pessoas sedentárias e com alimentação desequilibrada”, afirma.

Entre as causas mais comuns estão o envelhecimento, a queda hormonal, o sedentarismo e uma dieta pobre em proteínas. A médica alerta que a combinação de pouca atividade física com excesso de carboidratos simples e gorduras leva à perda muscular e ao acúmulo de gordura visceral, aumentando o risco metabólico.

O quadro é grave: pessoas com obesidade sarcopênica têm até 80% mais risco de mortalidade em comparação à população sem o problema, e o risco de morte é duas vezes maior do que em casos de obesidade isolada. Além disso, a condição reduz a força e a capacidade funcional, tornando o corpo mais vulnerável a quedas, fraturas e limitações de movimento.

O diagnóstico pode começar por triagens simples, como o questionário SARC-F, que avalia força e mobilidade, mas exames como bioimpedância e densitometria são essenciais para medir com precisão a massa muscular e a gordura corporal.

Para prevenir e tratar, a endocrinologista reforça que o segredo está na atividade física e na alimentação equilibrada. “Exercícios de força, como musculação e pilates, ajudam a reconstruir os músculos, enquanto uma dieta rica em proteínas e alimentos naturais mantém o corpo nutrido e forte”, orienta.

Segundo a especialista, cuidar da saúde muscular é fundamental. “Mais do que viver mais, é sobre viver com autonomia, energia e qualidade”, conclui.