Obesidade triplica no Brasil e acende alerta sobre saúde
A obesidade está avançando em ritmo preocupante no Brasil. Em pouco mais de três décadas, o percentual de brasileiros com 25 anos ou mais que vivem com a doença saltou de 7,8% para 27,7%, entre 1990 e 2023. Os números representam um crescimento superior a três vezes e colocam o país diante de um desafio de saúde pública que vai muito além da aparência física.
Os dados fazem parte de um estudo da série Carga Global de Doenças (GBD), conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Entre os 17 países latino-americanos analisados, o Brasil apresentou o maior crescimento da prevalência de obesidade.
Especialista alerta para os riscos do emagrecimento rápido
Segundo Jauan Anselmo, profissional de Educação Física e especialista em fisiologia do exercício, o combate à obesidade precisa considerar alimentação, sono, atividade física e histórico de saúde.
Um dos principais erros, segundo ele, é apostar em dietas extremamente restritivas para perder peso rapidamente.
Isso porque o emagrecimento acelerado pode provocar não apenas a redução de gordura, mas também a perda de massa muscular, comprometendo a força e a capacidade funcional.
“A pessoa pode até ver o peso baixar rapidamente, mas isso não significa necessariamente que esteja perdendo gordura na proporção desejada”, alerta.
Musculação pode ajudar no combate à obesidade
O treinamento de força, como a musculação, é um importante aliado na preservação dos músculos durante o emagrecimento.
Combinado a uma alimentação adequada e acompanhamento profissional, o exercício contribui para melhorar a composição corporal e favorecer a manutenção dos resultados.
Prevenção deve começar ainda na infância
Para o especialista, hábitos saudáveis precisam ser incentivados desde cedo, com brincadeiras ativas, esportes e redução do tempo sedentário.
Entre adultos, a recomendação é começar com atividades compatíveis com o condicionamento físico e aumentar gradualmente a intensidade.
“Não existe uma fórmula única para todos. É possível começar com metas pequenas e evoluir progressivamente. O que faz diferença é a continuidade”, destaca Jauan.
O especialista reforça que a obesidade é uma doença complexa e exige acompanhamento multiprofissional, sem depender de dietas milagrosas ou soluções radicais.