Pedro Pondé lança “071” e celebra ancestralidade e identidade cultural de Salvador

O cantor e compositor baiano Pedro Pondé lança no dia 23 de janeiro a música “071”, faixa que celebra a cultura, a ancestralidade e a identidade soteropolitana a partir de uma construção sonora potente e profundamente conectada ao território de Salvador. A canção chega às plataformas digitais como resultado da parceria com João Xaxier e Fernando Macuna, unindo samba, reggae e elementos da música baiana contemporânea.

Com letra assinada por Pondé, “071” nasce como um gesto de afirmação cultural e resistência. Inspirada pelo documentário Àkàrà – No Fogo da Intolerância, a música responde às tentativas recorrentes de apagamento das religiões de matriz africana da história brasileira, em especial o candomblé. Nesse contexto, a faixa se posiciona como um manifesto de pertencimento, memória e consciência, exaltando símbolos e práticas que estruturam a identidade cultural da Bahia.

O título da canção faz referência direta ao diálogo histórico entre samba e reggae, eternizado por Neguinho do Samba, e reverbera influências que atravessam gerações, como Bob Marley, MiniStereo Público, Olodum, Ilê Aiyê e BaianaSystem. Essa herança sonora se conecta a referências que vão além da música, como as Baianas de Acarajé, evocadas como símbolo vivo de resistência cultural, espiritual e política, fundamentais para a história de Salvador.

A construção musical de “071” teve início a partir de uma base criada por João Xaxier em seu home studio. Guitarras marcantes e melodias precisas desenham uma atmosfera que dialoga com as Quintas Dancehall do MiniStereo Público e com a estética sonora que marca a música urbana da Bahia. A chegada de Fernando Macuna adiciona corpo e pulsação à faixa, com uma percussão vibrante que se integra de forma orgânica à linha de baixo.

Segundo Pedro Pondé, o processo criativo foi atravessado por inquietação e posicionamento. “Estava profundamente incomodado com artistas que tentam apagar o candomblé da nossa história. Isso é criminoso e impossível”, afirma. Gravada, mixada e masterizada no bairro da Liberdade, no Estúdio Aquahetz, a música reforça o compromisso com a cadeia criativa local e com a história viva da cidade. O lançamento acontece pelo Selo Digital Ruffo.