Peixe-leão é encontrado pela primeira vez na costa da Bahia e acende alerta ambiental

Pela primeira vez, um peixe-leão (Pterois volitans), espécie considerada bioinvasora, foi identificado e capturado na costa da Bahia. O registro ocorreu em uma operação de monitoramento na região de Morro de São Paulo, no Baixo Sul do estado, realizada por uma equipe multidisciplinar do Governo da Bahia, composta por biólogos, oceanógrafos e veterinários da Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

O exemplar, que mede cerca de 10 cm e tem aproximadamente um ano de vida, foi levado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) nesta sexta-feira (14), onde passará por análises em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Risco para os ecossistemas marinhos

Apesar da aparência exótica e inofensiva, o peixe-leão representa uma séria ameaça ambiental. Sem predadores naturais no Brasil, ele compete por alimento e pode reduzir drasticamente a população de peixes e crustáceos, impactando a cadeia da pesca.

“Recebemos a notificação de um possível avistamento nos corais da ilha e montamos uma força-tarefa para inspecionar o local. Na quinta-feira (13), confirmamos o registro inédito na Bahia, realizamos a captura e trouxemos o animal para o Cetas. Agora, seguiremos com os devidos encaminhamentos”, explicou o secretário do Meio Ambiente, Eduardo Mendonça Sodré Martins.

Diante da descoberta, o Governo do Estado notificou prefeituras da Costa Baiana, órgãos ambientais, a Secretaria da Saúde, a Bahia Pesca e a Marinha do Brasil. Além disso, será implantado um plano de resposta rápida à invasão do peixe-leão, seguindo as diretrizes do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Programa de Gerenciamento Costeiro da Bahia.

Como o peixe-leão chegou à Bahia?

A oceanógrafa Alice Reis (Sema) aponta duas hipóteses:

🔹 Correntes marítimas podem ter trazido larvas da espécie do litoral de Pernambuco, onde há registros de reprodução em grande escala desde 2022.
🔹 Reprodução local, o que indicaria a presença de mais exemplares na costa baiana.

Agora, mergulhadores, pescadores e banhistas devem ficar atentos e comunicar qualquer avistamento do peixe-leão.

Descoberta e captura do animal

O mergulhador Diego Marques, morador de Morro de São Paulo, foi o primeiro a avistar o peixe. “Notei que era uma espécie incomum na região, registrei e avisei as autoridades. Estou orgulhoso por ter ajudado nesse trabalho”, relatou.

A equipe do Inema, liderada pelo biólogo marinho Eduardo Barros, utilizou redes especiais e luvas reforçadas para evitar contato com os espinhos venenosos, que podem causar dor intensa e reações alérgicas.

Perigo para o meio ambiente e para a saúde

➡️ O peixe-leão pode crescer até 47 cm e possui 18 espinhos venenosos
➡️ Predador voraz, ameaça diversas espécies marinhas locais
➡️ Sem predadores naturais no Brasil, sua população pode crescer rapidamente

⚠️ Riscos para a saúde humana:
📌 Em caso de contato, o peixe injeta uma toxina neuromuscular que pode causar:
🚨 Dor intensa e necrose do local
🚨 Náuseas, febre e reações alérgicas
🚨 Convulsões em casos graves

O veterinário Marcos Leônidas (Cetas/Inema) alerta que ninguém deve tentar capturar o peixe e, em caso de acidente, é necessário procurar imediatamente um posto de saúde.

Alerta à população

A Sema e o Inema seguem monitorando a situação e pedem a colaboração da sociedade na identificação e controle do peixe-leão na costa baiana.

📢 O que fazer se avistar um peixe-leão?
Não tente capturá-lo
🎣 Se for pescado acidentalmente, não devolva ao mar
📞 Denuncie imediatamente:

📲 Disque Denúncia: 0800.071.1400
📧 E-mail: denuncia@inema.ba.gov.br
📲 WhatsApp Resgate: (71) 99661-3998

A colaboração da população é fundamental para evitar que essa espécie invasora cause danos irreversíveis ao meio ambiente.