Penitenciária Lemos de Brito recebe ação inédita de combate à tuberculose liderada por pesquisadores baianos

A Penitenciária Lemos de Brito, no bairro da Mata Escura, em Salvador, está recebendo uma iniciativa pioneira que une ciência, saúde pública e inclusão social. O Programa de Eliminação da Tuberculose no Sistema Prisional da Bahia, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas em Populações Prioritárias (IRPP), tem como meta interromper a transmissão da doença dentro das prisões, oferecendo diagnóstico, testagem e tratamento para internos e servidores.

A ação é realizada em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP), a Faculdade Zarns Salvador e o Instituto Monster. O projeto inclui testagens para tuberculose — nas formas latente, assintomática e pulmonar ativa —, além de exames para sífilis, HIV e hepatites B e C, doenças consideradas socialmente determinadas.

De acordo com o pesquisador Pedro Paulo Carneiro, professor da Faculdade Zarns Salvador e integrante do IRPP, o objetivo é garantir diagnóstico precoce e quebrar a cadeia de transmissão.

“Pretendemos fazer o rastreio das diversas formas de tuberculose e de outras doenças socialmente determinadas. Iniciamos com um grupo piloto e, em breve, realizaremos uma testagem em massa”, explicou.

O projeto é coordenado pela médica Dra. Beatriz Duarte, cofundadora do IRPP, que destaca o caráter humano da iniciativa.

“Levar ciência e cuidado ao sistema prisional protege não só quem está privado de liberdade, mas toda a sociedade. Se não olharmos através das grades, enfrentaremos os mesmos problemas fora delas. É enxergando e agindo onde o problema está que construímos soluções duradouras”, afirmou.

A equipe utiliza tecnologia de ponta, como um aparelho de raio-X digital portátil, que permite diagnósticos rápidos dentro da própria penitenciária. A ação foi bem recebida pelos internos.

“É importante saber que existe preocupação com a nossa saúde também. Somos gente também, né?”, disse José (nome fictício).

O estudo deve durar entre três e quatro meses, abrangendo todos os módulos da unidade. A expectativa é que o modelo seja expandido para outras penitenciárias da Bahia, reforçando o papel da ciência como instrumento de transformação social e humana.