Presente Ecológico de Iemanjá reforça fé e cuidado com o mar no Solar do Unhão

O Solar do Unhão, em Salvador, será cenário, no dia 1º de fevereiro, da 13ª edição do Presente Ecológico de Iemanjá, iniciativa que une espiritualidade, tradição afro-baiana e consciência ambiental. A celebração propõe uma forma respeitosa e sustentável de homenagear a Rainha do Mar, valorizando gestos simbólicos e elementos biodegradáveis, em sintonia com a preservação das águas.

Realizado pelo MUSAS – Museu de Street Art Salvador e pelo CEN – Coletivo de Entidades Negras, em parceria com associações comunitárias, movimentos culturais e casas tradicionais de matriz africana, o evento se consolida como um espaço de diálogo entre fé, cultura e educação ambiental. A proposta é clara: substituir objetos poluentes por manifestações imateriais de devoção, reforçando a importância de não lançar resíduos no mar, especialmente durante as celebrações do 2 de fevereiro.

A programação começa com um café da manhã coletivo, seguido por feijoada comunitária, apresentações culturais e um cortejo simbólico até as águas. A participação das Filhas de Gandhy no cortejo reforça a força das manifestações afro-baianas na construção da identidade cultural de Salvador, trazendo beleza, tradição e significado ao ato coletivo.

Após o cortejo, a musicalidade ancestral ganha destaque com o grupo Alabó, que conduz o público em uma celebração marcada pelo ritmo, pela memória e pela conexão espiritual. A condução religiosa ficará sob responsabilidade da Casa de Oxumarê, uma das mais tradicionais referências do candomblé no Brasil, garantindo o respeito aos fundamentos, ritos e saberes ancestrais que orientam a celebração.

O Presente Ecológico de Iemanjá também assume um papel pedagógico ao lembrar que a devoção pode se expressar por meio de orações, cantos, palmas, músicas, palavras de agradecimento e mentalização de boas energias. A mensagem central é que o valor do presente está na intenção e no cuidado com a natureza, especialmente em um contexto de emergência climática e crise ambiental.

Mais do que uma festa, a iniciativa se afirma como um ato público de valorização das culturas de matriz africana, de defesa da liberdade religiosa e de enfrentamento à intolerância. Ao celebrar Iemanjá de forma consciente, o evento reafirma a orixá como símbolo de acolhimento, proteção e respeito às águas, essenciais para a vida e para o futuro.

Foto: Jovem Bara / @bara_fotografias071