Projeto baiano “Pedrinhas Miudinhas – Ano II” desembarca em Luanda

A pesquisa artística “Pedrinhas Miudinhas – Ano II”, do artista e pesquisador David Sol, amplia o diálogo entre Brasil e África ao chegar ao Instituto Guimarães Rosa, em Luanda. A circulação internacional, que começou em Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, propõe mais do que uma exposição: constrói pontes de memória e ancestralidade entre territórios historicamente conectados pelo Atlântico Negro.

O projeto investiga como a experiência afro-indígena brasileira mantém vínculos com matrizes africanas não apenas na dimensão histórica, mas também no campo sensível — no gesto, no rito e nas paisagens cotidianas. Reunindo pintura, fotografia e escrita, a pesquisa dialoga com os terreiros do Recôncavo, caboclos, cobras corais, festas e imaginários espirituais. As imagens não se colocam como registro etnográfico, mas como linguagem de reconhecimento e continuidade ancestral.

Antes de chegar a Angola, a mostra passou por Museu Mafalala, em Maputo, onde promoveu oficinas, rodas de conversa e encontros com artistas e comunidades locais. A experiência reforçou a proposta de deslocar não apenas a obra, mas também a escuta, estimulando trocas reais entre diferentes margens do Atlântico.

Em Luanda, a edição “Atlântico Negro” aprofunda esse intercâmbio. O Instituto Guimarães Rosa se torna espaço de troca entre experiências africanas e afro-brasileiras, com programação entre os dias 3 e 10 de março. A agenda inclui visitação pública, abertura institucional com diálogo aberto e apresentação da pesquisa com visita guiada.

Com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria da Fazenda e da Secretaria de Cultura da Bahia, o projeto reafirma o papel da arte como instrumento de conexão e pertencimento. Ao transformar pequenas pedras em metáfora de permanência, “Pedrinhas Miudinhas – Ano II” propõe uma política do encontro, em que identidade e memória se constroem na escuta e no reconhecimento mútuo.

(Fotografia Obra “Pedrinhas Miudinhas” – Divulgação)