Projeto “De Maní a Nós” leva dança e ancestralidade de mulheres negras ao interior da Bahia
O projeto “De Maní a Nós” realiza uma circulação artística gratuita nas cidades de Jequié e Maracás, entre os dias 10 e 12 de abril, levando ao público o espetáculo de dança “Vozes Maní” e a oficina “Escrevivência do Corpo em Criação”. A iniciativa destaca o protagonismo de mulheres negras na dança e propõe reflexões sobre memória, identidade e ancestralidade, fortalecendo o acesso à arte no interior da Bahia.
Idealizado pelas artistas Samara Martins e Helena Norberto, o projeto nasce a partir de pesquisas em autobiografia e autoetnografia, desenvolvidas dentro e fora do ambiente acadêmico. A proposta conecta vivências pessoais e coletivas, abordando experiências marcadas por preconceitos estruturais e refletindo sobre as marcas do racismo na sociedade.
O espetáculo “Vozes Maní” é um duo que apresenta histórias de duas mulheres negras por meio da dança. A construção da cena parte de memórias familiares, trocas de cartas e relatos de gerações anteriores, como avós e bisavós, criando um elo entre passado e presente através do corpo em movimento.
Além da apresentação, o projeto promove a oficina “Escrevivência do Corpo em Criação”, aberta ao público. A atividade propõe exercícios de consciência corporal, improvisação e escrita, incentivando os participantes a transformarem suas próprias experiências em expressão artística. O encontro também inclui momentos de troca e culmina na criação de pequenas composições em dança.
Para as artistas, apresentar o trabalho em suas cidades de origem tem um significado especial. A proposta reforça o corpo como território de memória e ancestralidade, além de promover um espaço de escuta, identificação e compartilhamento de histórias.
O projeto também busca democratizar o acesso à cultura em cidades do interior, incentivando a participação da comunidade local em atividades artísticas gratuitas. A iniciativa foi contemplada pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, e execução do Governo do Estado, via Secretaria de Cultura.
Foto Pio Filho