Projeto Ordem Questionada oferece formação teatral gratuita para jovens em Salvador

Jovens de Salvador participam, de forma gratuita, de uma formação teatral completa por meio do projeto Ordem Questionada, iniciativa do Coletivo Subverso das Artes que segue em plena atividade na capital baiana. Neste sábado (31) e domingo (1º), a residência artística promove mais uma rodada de oficinas na Casa das Histórias de Salvador, no Comércio, com aulas de Atuação e Direção Teatral no sábado e de Cenografia no domingo.

Voltada à formação de artistas pretos, a proposta parte do entendimento de que talento, sozinho, não garante espaço no teatro. A iniciativa aposta no acesso à formação técnica, no aperfeiçoamento contínuo e na construção coletiva como caminhos para transformar vocação em carreira artística. As oficinas acontecem quinzenalmente desde novembro de 2025 e promovem uma imersão em diferentes linguagens do fazer teatral.

Até o fim de janeiro, os participantes passaram por aulas de Escrita Teatral, Atuação, Direção Teatral e Direção Musical. A partir de fevereiro, o projeto entra em um novo ciclo formativo, que segue até abril, incluindo oficinas de Comunicação Estratégica, Formação de Público, Cenografia e Gestão Teatral, ampliando o olhar para além do palco e contemplando também os bastidores, a circulação e a sustentabilidade dos projetos artísticos.

Para Zaya Olugbala, coordenador do Coletivo Subverso das Artes, a residência vai além da técnica. “O processo tem sido rico e participativo. Ao longo das oficinas, conseguimos criar, acompanhar a produção dos colegas e compartilhar experiências. É um espaço de descobertas, conexões e possibilidades”, afirma. Segundo ele, a iniciativa promove a multiplicação de conhecimentos e aponta caminhos para tornar os fazeres artísticos viáveis na prática.

A atriz Betânia Novaes, moradora do Engenho Velho da Federação e uma das residentes, destaca o impacto da formação. “É um tipo de fomento que valida o nosso tempo de pesquisa e possibilita dedicação integral ao amadurecimento técnico e artístico. O projeto convida a refletir sobre as estruturas que nos cercam e valoriza a criação coletiva”, relata.

A próxima etapa do projeto, intitulada Circula e Questiona, será dedicada à criação, laboratório e circulação das peças resultantes das oficinas. Os espetáculos serão apresentados em bairros como Engenho Velho da Federação, Engenho Velho de Brotas, Nova Brasília, Candeal e Santo Inácio, garantindo que o processo formativo se materialize nas comunidades. O projeto foi contemplado pelos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura.